Políticas Públicas

Planejamento urbano e acesso ao transporte também afetam a saúde mental


ArchDaily
16:00 - 12 Janeiro, 2017
por Sergio Trentini

A cidade pede atenção, os carros pedem passagem, o barulho invade o espaço físico e mental. Nenhum desses pedidos vem com aviso prévio e muitas vezes sequer são percebidos. O cenário urbano infiltra-se na rotina por todos os lados e vieses. Ainda que esses elementos passem despercebidos ou assimilados de forma natural, eles requerem atenção e esforço mental. Isso, somado à perspectiva de que 70% da população esteja morando nas cidades até 2050, faz com que cada vez mais sejam feitos estudos que refletem a relação entre planejamento urbano, arquitetura e saúde mental.

Os estudos somam esforços para entender como a vida urbana afeta o desenvolvimento cognitivo dos habitantes e qual o papel da cidade no desenvolvimento de transtornos mentais. Por outro lado, existem também pesquisas que pontuam os aspectos positivos dos centros urbanos. Elas analisam a inter-relação entre a vida humana e o ambiente que escolhemos para morar, do estresse causado por engarrafamentos até o bem-estar proveniente da arborização urbana.

O cérebro se adaptou às cidades

A igual divisão entre o espaço rural e urbano que o povo Himba tomou, na Namíbia, serviu como base de estudo para cientistas da Universidade de Londres. Em um dos experimentos, os pesquisadores empregaram uma tarefa básica de atenção espacial. Todos os participantes precisavam seguir um alvo em uma tela, indicado por setas, e deveriam ignorar as setas que apontavam em outras direções. Os habitantes que habitavam a zona rural ou mais remota apresentaram mais foco durante a tarefa.

A conclusão dos cientistas foi que o cérebro das pessoas que vivem no interior parece pronto a focar imediatamente em uma tarefa apresentada. Em contrapartida, os habitantes da cidade mostram-se preparados para explorar o cenário em constante mudança da vida urbana. Essa distinção, no entanto, demonstra apenas como a cidade condiciona seus moradores a funcionarem de maneira diferente.

Existem, como essa, diversas outras análises sobre o ambiente urbano. Estudos sobre a densidade, o uso do solo, a segurança viária, o desenho urbano e o impacto dos transportes tendem a apresentar bons resultados no ramo da saúde em geral, seja em impactos sociais ou econômicos, mas são poucos os estudos que levam em conta a saúde mental. Existem aprofundamentos que levam em conta a poluição sonora e visual e a falta de acesso a espaços verdes e o impacto que isso causa para o bem-estar das pessoas.

Essa foi a premissa adotada por um grupo de pesquisadores italianos para analisar a relação entre o ambiente urbano e o impacto na saúde mental dos habitantes. Independentemente dos papéis desempenhados pelos bairros e a desvantagem social individual. A análise foi feita a partir das variações na prescrição de antidepressivos em relação às dimensões específicas do ambiente construído em volta – densidade urbana, uso misto do solo, áreas verdes, serviços públicos, acessibilidade por meio de transportes públicos.

As análises foram feitas em Turim, na Itália, e o resultado obtido sobre a incidência de sintomas depressivos entre os adultos, medida pela prescrição de antidepressivos, diminuiu com a melhoria de algumas características específicas do ambiente urbano. Mas, principalmente, aos efeitos da densidade urbana e da acessibilidade ao transporte público. Em ambos os casos, os efeitos foram mais evidentes entre as mulheres e os idosos.

Em conclusão, os resultados da pesquisa sugerem que a distribuição de receitas de antidepressivos é, além de outros fatores conhecidos, sim, influenciada por alguns componentes urbanos. Os elementos da saúde mental devem, portanto, ser levados em conta ao se pensar “políticas urbanas e investir na prestação de serviços que melhoram fatores de resiliência, acima de tudo, investir em uma boa rede de transportes públicos, de uma forma cuidadosa e igualitária em toda a cidade”, destaca o estudo.

Sobre as evidências que apontam efeitos maiores em mulheres e idosos, o estudo indica que deve ser dada atenção aos grupos socialmente vulneráveis. Serviços de acessibilidade e de transporte podem ser facilmente modificados pelos tomadores de decisão como uma medida de compensação quando é impossível fornecer um serviço igualitário para todos. No escopo das bicicletas, falamos sobre a desproporção entre homens e mulheres e como a infraestrutura urbana não é amigável o suficiente para que todas as mulheres se sintam encorajadas a pedalar pela cidade.

Cidades são estruturas complexas, tanto quanto o cérebro humano. No entanto, a identificação de alguns elementos estressantes no ambiente urbano, como a pouca densidade e a falta de acesso ao transporte público, pode ajudar a pensar cidades melhores para as pessoas. Esses elementos podem, portanto, ser levados em conta por urbanistas para beneficiar, a partir do planejamento urbano, a cognição e a nossa saúde mental. 

http://www.archdaily.com.br/br/802923/planejamento-urbano-e-acesso-ao-transporte-tambem-afetam-a-saude-mental

 

 

A Agonia da Uerj

Notícia retirada na revista online Carta Capital.

24/01/2017.

 

Em uma grave situação que se arrasta desde 2014, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, instituição com mais de 60 anos, chegou ao ápice do sucateamento. 

 

Em 6 de janeiro, um ofício da reitoria da Uerj informou ao governador Luiz Fernando Pezão, do PMDB, que “suas atividades ficarão impossibilitadas” caso não sejam efetuados “o pagamento integral de seus servidores e a liberação dos recursos orçamentários necessários ao funcionamento imediato e permanente” da universidade.

 

Em meio à possibilidade de paralisação, mais de 200 professores, estudantes e funcionários da instituição reuniram-se em um ato na quinta-feira 12. Eles reivindicavam o pagamento dos salários, bolsas e recursos. A manifestação teve início em frente ao Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), no bairro de Vila Isabel, e terminou no campus Maracanã.

 

Para ler mais, acessar o link abaixo:

Notícia completa Carta Capital

 

A “Cidade Linda” de Doria quer apagar as pessoas indesejadas da paisagem

Jornal Diário do centro do Mundo data: 21/01/2017

Doria publicou hoje no Diário Oficial, às pressas e sem qualquer discussão pública, alterações muito graves no decreto de zeladoria urbana que afetarão duramente a população em situação de rua.

O decreto n. 57.069, de 2016, foi construído depois de muita crítica à gestão Haddad, que cometeu equívocos enormes àquela época no tratamento com a população de rua. Defensoria, MP e entidades da sociedade civil discutiram um marco legal para restringir o “poder de polícia” da GCM contra a população de rua. Apesar dos seus limites e dificuldades de implementação, foi um avanço importante na efetivação dos direitos humanos desses segmentos vulneráveis.

Esse decreto consagrou o princípio da mediação para solução dos conflitos, que foi agora excluído. Além disso, o princípio da transparência das ações públicas com ampla divulgação de informações à população também foi alterado na nova redação.

Sob esse decreto, as ações de “zeladoria” deveriam ser preferencialmente realizadas das 7h às 18h, de segunda a sexta, para evitar ações, por exemplo, enquanto as pessoas estivessem dormindo; agora, estão liberadas as ações em qualquer dia e horário sem justificativa.

Além disso, era vedado subtrair das pessoas em situação de rua “itens portáteis de sobrevivência, tais como papelões, colchões, colchonetes, cobertores, mantas, travesseiros, lençois e barracas desmontáveis”. A redação anterior estabelecia, ainda, que, “em caso de dúvida sobre a natureza do bem, os servidores responsáveis pela ação deverão consultar a pessoa em situação de rua”.

Ambos dispositivos foram suprimidos nessa modificação de hoje. Ou seja, as forças de segurança poderão retirar itens de sobrevivência das pessoas em situação de rua, o que sabemos que pode levar até ao óbito sob condições de clima muito frio.

Outro ponto bastante grave foi a supressão do item que obrigava, em caso de resistência das pessoas em situação de rua, que “o diálogo será adotado com primeira e principal forma de solução de conflitos, não sendo admitidas atitudes coercitivas que violem sua integridade física e moral”.

Abre-se, assim, ainda mais margem para a atuação arbitrária das forças de segurança contra essa população já tão sujeita a diversas formas de violências.

É preciso destacar, ainda, que antes o decreto permitia que fossem recolhidas “barracas montadas durante o dia, desde que não sejam removidos pelo possuidor ou proprietário”. A nova redação fala apenas em “barraca”, sinalizando que poderão ser imediatamente retiradas sem qualquer possibilidade de a própria pessoa retirá-la.

Apagar pichações e grafites já seria bastante grave. Mas o higienismo da gestão Dória vai muito além disso, quer “apagar” pessoas do espaço público da cidade. Todo governo conservador mobiliza o discurso da “limpeza pública”, da “higienização social” e do “saneamento moral” para atacar populações vulneráveis e consideradas indesejáveis, como pessoas em situação de rua, prostitutas, pessoas LGBT, negros e outros.

É preciso denunciar amplamente essa medida! A “cidade linda” do Dória é feita contra os seres humanos e na base da repressão. Não é isso que queremos para São Paulo.

Fonte: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-cidade-linda-de-doria-quer-apagar-as-pessoas-indesejadas-da-paisagem/

Há 159 ‘manicômios’ no País, sem previsão de fim

 

Juliana Diógenes , 
O Estado de S. Paulo

11 Dezembro 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Passados 15 anos da lei que determinou uma reforma psiquiátrica no Brasil, o governo federal não trabalha com uma data-limite para a extinção dos manicômios, forma como ficaram conhecidos os hospitais psiquiátricos. Ainda existem no País 159, com 25.126 leitos psiquiátricos.

O Ministério da Saúde informou, em nota, que não há prazo para o fechamento dos hospitais psiquiátricos já que a legislação de reforma psiquiátrica não determina uma data.

A política de saúde mental foi estabelecida pela Lei nº 10.216, que estabelece “que esse fechamento deve se dar conforme a pactuação das gestões municipais e estaduais e conforme o planejamento da implantação da Rede de Atenção Psicossocial”. Desde 2001, a reforma psiquiátrica ganhou status de estratégia de Estado e passou a ser desenvolvida no âmbito da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

Segundo o Ministério, o gasto com ações e investimentos em obras de saúde mental, como Caps, leitos, programas de prevenção, entre outros, foi de R$ 1,3 bilhão no ano passado. A pasta afirma que, para casos com necessidade de internação de curta duração, foram criados nos últimos cinco anos 1.082 leitos de saúde mental.

São Paulo. No Estado, são 30 leitos habilitados pelo ministério para atender pacientes com transtornos mentais em hospitais gerais. A coordenadora de Saúde Mental da Secretaria Estadual da Saúde, Rosângela Elias, explica porém que o número é maior. Segundo ela, há ao todo 800 leitos psiquiátricos em unidades hospitalares gerais do Estado.

Ainda funcionam no território paulista 36 instituições, sendo três na capital. A população dessas unidades é de aproximadamente 3,4 mil pessoas. Rosângela reconhece que essas unidades são manicômios. “São espaços fechados de atendimento específico para saúde mental só para essa população que trabalham em uma lógica de asilamento”, afirma a coordenadora, que chama os pacientes desses hospitais de “moradores”.

Rosângela diz que a redução do número de manicômios é “um desafio” dos poderes federal, estadual e municipal. “Ainda estamos em processo de construção. Criar um Caps não significa que a rede está formada. A pessoa precisa de atendimento mais integral.”

http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,ha-159-manicomios-no-pais-sem-previsao-de-fim,10000093796

 

Feministas veem como insuficiente novo padrão de atendimento a agredidas em SP

UOL 24/01/2017

A descrição em palavras não traduz a intensidade da dor da vítima de violência doméstica e familiar –diferentemente de uma fotografia que exponha em detalhes a agressão. Essa é uma das premissas de um protocolo de atendimento integrado para atendimento a essas vítimas, implementado na semana passada em São Paulo pela SSP (Secretaria de Segurança Pública) em parceria com o Ministério Público Estadual.

Batizada de "Projeto Integrar", a ação busca reforçar ações conjuntas entre os órgãos para o enfrentamento da violência contra a mulher. Além da realização de fotos das agressões nas delegacias, por parte de policiais mulheres e com autorização da vítima, outra medida será a realização da perícia em até dez dias –em geral, o procedimento leva 30 dias.


Para especialistas em assuntos ligados à violência de gênero, porém, mais que fotos, o que o atendimento às vítimas de violência doméstica tem demandado, no dia a dia de delegacias e centros de acolhida, profissionais treinados para lidar com essas vítimas.


"O protocolo não altera muito do que acontece hoje, porque muitas mulheres que vão registrar queixa ou falar sobre violência na delegacia ou em qualquer serviço, não raro, não estão machucadas visivelmente, mas psicologicamente. As medidas que precisam ser tomadas vão muito mais na direção de se qualificar quem as atende, em uma dinâmica de funcionamento mais adequada ao cotidiano da vida – e não atendendo as burocracias do Estado", afirma a advogada Amelinha Teles, diretora da União de Mulheres de São Paulo e coordenadora do Projeto Promotoras Legais Populares.


"Esse tipo de atendimento em que a vítima tem uma retaguarda faz parte do Estado Democrático de Direito. Ela precisa de apoio afetivo e psicológico e quer preservar sua vida –mas vai buscar apoio onde tem uma porta aberta para ser atendida. Só que quem a atende tem que estar capacitado, orientado e supervisionado, porque é um trabalho desgastante e difícil em que se precisa acolher, ouvir e dar escuta para essa mulher e poder traduzir isso de acordo com a lei. Não dá para primeiro atender a burocracia  da instituição para, depois, olhar as mulheres", concluiu. 

 

veja mais em: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/01/24/vitimas-de-violencia-domestica-terao-agressoes-fotografadas-em-sp.htm