Polícia

Peça que foi interrompida pela PM, 'Blitz' tem apoio do governo do Estado

 

"Blitz - O Império que Nunca Dorme", peça cuja apresentação numa

praça de Santos (litoral paulista) foi interrompida por policiais

militares no domingo (30), tem apoio do governo estadual, que

também administra a PM.

 

A montagem da Trupe Olho da Rua ganhou dois editais do ProAC

(Programa de Ação Cultural), da Secretaria de Estado da Cultura. Em

2014, recebeu R$ 80 mil para produzir a peça. Agora terá R$ 100 mil

para circulação. Na documentação, é descrito o conteúdo do trabalho.

 

O espetáculo –que satiriza o poder do Estado e da mídia e

traz atores vestindo fardas, saias e máscaras de animais– já

havia sido encenado na mesma praça dos Andradas, no

centro histórico da cidade, "umas 20 vezes", diz Raquel

Rollo, atriz e produtora da peça. "Algumas com a presença

da PM, mas nunca tinha acontecido nada."

 

No último domingo (30), alguns carros da polícia rodearam a

apresentação, com cerca de 50 espectadores, e interromperam a peça,

que trazia uma bandeira do Brasil hasteada de cabeça para baixo e

tocava o hino nacional.

 

Também deram ordem de prisão ao ator e diretor Caio

Martinez Pacheco. De acordo com Rollo, quando o encenador

questionou o motivo da detenção, um policial lhe respondeu:

"Ainda não sei".

 

[...]

 

OUTRO LADO

 

Em nota, a Secretaria da Cultura diz que não há "restrições

quanto aos temas" de projetos do ProAC. O governo do

Estado e a Secretaria da Segurança Pública afirmam que a

PM de Santos abriu sindicância administrativa para apurar o

ocorrido, mas que o grupo infringira "a legislação federal por

desrespeito às bandeiras nacional e paulista" e que, na

delegacia, não foi feita denúncia de agressão.

 

 

Disponível na íntegra na fonte: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/11/1828954-peca-que-foi-interrompida-pela-pm-blitz-tem-apoio-do-governo-do-estado.shtml 

'Tenho ódio da polícia', diz mãe de jovem morto na Grande SP

O pai de Regina era policial. O filho foi morto por um. Quando criança, Regina Simão, 50, sentia orgulho do pai, tenente da Rota, a tropa de elite da PM de São Paulo. "Para nós, polícia era tudo."

Em abril de 2014, essa percepção mudou radicalmente. Seu filho, Rafael Simão Sarchi, um jovem de 21 anos, foi morto com cerca de dez tiros quando caminhava na calçada a duas quadras de casa, em Mogi das Cruzes, na Grande SP. "Em menos de cinco minutos ele estaria em casa."

No ano passado, dois policiais, Fernando Cardoso Prado de Oliveira e Vanderlei Messias Barros, foram presos acusados da autoria de uma série de assassinatos, inclusive umachacina, sempre de homens jovens ou adolescentes em Mogi, entre 2013 e 2015. O filho de Regina teria sido morto por Cardoso. Rafael trabalhava como cobrador de lotação com seu pai, que é motorista, e queria estudar educação física. Deixou duas filhas, que agora têm seis e três anos.

[...]

Ataques como esses não são contabilizados pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo como letalidade policial -entram no número geral de homicídios cometidos no Estado. Estão, portanto, fora da média nacional diária de nove assassinatos cometidos por policiais.

No caso dos ataques de Mogi, foram ao menos dez vítimas em sete ações diferentes entre 2013 e 2015, segundo o delegado local Rubens José Ângelo. Os crimes aconteciam sempre fora do horário de trabalho dos policiais, que atacavam de carro ou de moto, diz o delegado.

 

[...]

Disponível na íntegra na fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/10/1826950-tenho-odio-da-policia-diz-mae-de-jovem-morto-na-grande-sp.shtml 

Travesti é encontrada morta dentro de viatura da Polícia Civil em SP

Policiais do 77º DP, no bairro da Santa Cecília, encontraram corpo no compartilhamento reservado para presos do carro na manhã desta quinta-feira (13)

 

Uma travesti, que não teve a identidade revelada, foi

encontrada morta no fim da manhã desta quinta-feira (13)

dentro de uma viatura da Polícia Civil de São Paulo. O caso

aconteceu no 77º Distrito Policial, localizado na alameda

Glete, 827, no bairro da Santa Cecília, zona oeste da capital

paulista.

 

De acordo com o histórico da ocorrência, registrado na

delegacia e ao qual a reportagem da Ponte Jornalismo teve

acesso, quando dois policiais pegariam o carro para sair do

DP, perceberam a travesti morta no compartilhamento

reservado para presos. A viatura tinha danos nos vidros,

lataria, fechadura e acrílico interno.

 

O delegado seccional de policía, Marco Antonio Pereira, e o

delegado da Corregedoria Felipe Martins da Silva foram ao DP,

visualizaram as imagens das câmeras de segurança da

delegacia e não teriam constatado irregularidades

praticadas por policiais.

 

Assim, o DHPP (Departamento de Homicídio e de

Proteção à Pessoa) foi acionado para que haja perícia

no local. A reportagem solicitou ao secretário da

Segurança Pública da gestão de Geraldo Alckmin

(PSDB),Mágino Alves Barbosa Filho, esclarecimentos

sobre o caso. Até a publicação desta reportagem,

a CDN Comunicação, empresa contratada para fazer a

assessoria de imprensa da pasta estadual, não havia

se manifestado. 

 

Fonte: http://ponte.org/travesti-e-encontrada-morta-dentro-de-viatura-da-policia-civil-em-sp/ 

Mães denunciam que secundaristas estariam sendo perseguidos, vigiados e torturados pela policia

7 de outubro de 2016 Por Victor Labaki

 

Duas mães que pertencem ao Comitê de Mães e Pais em Luta dos Secundaristas denunciaram durante uma coletiva de imprensa em São Paulo nesta quinta-feira (7) que alguns dos estudantes estariam sendo perseguidos, vigiados e até vítimas de torturas físicas e psicológicas por parte da policia.

Rosana Cunha, mãe de um aluno que ocupou o Centro Paula Souza, disse que a policia teria um “book” com a foto de 24 estudantes e que pratica torturas com quem se nega a dizer se conhece algum deles.

“A perseguição continua. Esses meninos são seguidos. Alguns menores estão sendo agredidos, existe um book na policia com foto de menino secundarista e quando alguns jovens são abordados na rua sem motivo algum, eles são obrigados a olhar nessas fotos e falar quem eles conhecem. Quando eles falam que não conhecem eles apanham até desmaiar”, contou.

Teresa Rocha, mãe de um secundarista de 16 anos, disse que seu filho chegou a ser abordado três vezes no mesmo dia e que ele está nesta lista. Segundo ela, a maior parte são estudantes que ocuparam a escola Fernão Dias Paes.

“Esses tempos eles pararam um pouco de enquadrar meu filho, mas ele chegou a ser enquadrado três vezes em um dia. Mas eles tão com esse álbum de 24 fotos de secundaristas e meu filho está nesse álbum”, afirmou.

Ela falou que constantemente via viaturas paradas na frente da porta da sua casa e que precisou mudar de endereço, mas que mesmo assim as perseguições continuam.

“Eu mudei e eles foram acompanhando minha mudança, outras pessoas já mudaram ou estão com medo porque seu filho está nessa lista”, disse.

Um dos casos apresentados pelas mães foi de um menino agredido por policiais até ficar desacordado e que perdeu 75% da visão por não revelar que conhecia estudantes que estariam nessa lista.

“Ele foi barbaramente agredido por falar que não conhecia [ninguém da lista] e levou um murro no nariz e colocaram spray de pimenta dentro dos olhos dele e ele perdeu 75% da visão. Deixaram ele desacordado na Estrada de Itapecerica da Serra achando que ele não ia resistir, foi isso que eles acreditaram, que ele não ia resistir aos ferimentos e ia morrer”, contou.

As mães disseram que estão preparando um dossiê com os relatos dos casos e que ele será entregue ao Ministério Público de São Paulo.

Fonte: http://www.revistaforum.com.br/2016/10/07/maes-denunciam-que-secundaristas-estariam-sendo-perseguidos-vigiados-e-torturados-pela-policia/ 

PMs prendem rapaz, o colocam de joelhos e atiram em seu peito, dizem vizinhos

Rapaz dirigia um carro roubado na zona leste de SP. Socorro não o levou ao hospital mais próximo e demorou uma hora e meia para chegar. Polícia Civil só foi notificada depois de 4 horas

Policiais militares da Força Tática mataram, na noite da última quarta-feira (5), o suspeito de tentar roubar um supermercado na Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo, Fernando Henrique Venâncio da Cunha, de 34 anos. Os três tiros que atingiram o rapaz (tórax, virilha e joelho) foram deflagrados por volta das 20h30. O socorro chegou às 22h. E o caso só foi comunicado na delegacia à 1h20 de quinta-feira (6).

Fernando Henrique dirigia um Peugeot 207 vermelho roubado em 2 de outubro deste ano. De acordo com a Polícia Civil, a PM buscava suspeitos que estariam fugindo da tentativa do roubo ao supermercado em um carro também de cor vermelha. Uma pessoa que presenciou a cena do crime afirma ter convicção de que o suspeito não tentou roubar o mercado porque eles estavam juntos cinco minutos antes do rapaz ser baleado.

De acordo com a versão dos policiais Claudio de Queiroz Fernandes e Marcelo Veloso, que atiraram contra o suspeito, após perseguição, Fernando parou o carro na avenida Naylor de Oliveira, altura do número 56, uma via de chão de terra batida, desceu e começou a disparar contra os PMs. O soldado Prachedes também estava na ocorrência, mas não teria participado da suposta troca de tiros.

Os policiais afirmaram que Fernando estava acompanhado de outros dois suspeitos, que conseguiram fugir. Ainda de acordo com os PMs, foi apreendido com Fernando um revólver calibre 38, de numeração raspada, oxidado, com dois cartuchos deflagrados. Ele havia saído da prisão há oito meses. Estava preso por furto.

Durante a ação, a rua estava cheia de gente. E o que as testemunhas afirmam contradiz a versão dos policiais. A reportagem da Ponte Jornalismo esteve na manhã desta sexta-feira (7) no cemitério Vila Formoza, na zona leste, onde o corpo de Fernando foi enterrado. A família, abalada e com medo de represálias, preferiu não se manifestar. Já quem estava na cena do crime fez questão de falar o que viu.

“Era por volta das 20h30. Sei do horário porque foi bem na hora que começou a novela da Record. Ouvi todo o barulho de dentro de casa e fui olhar pela janela. O rapaz estava ajoelhado gritando ‘perdi, perdi’ e eles [os policiais] tiraram ele do carro à força e atiraram à queima roupa”, afirma uma mulher de 53 anos que pediu para não ser identificada.

Desde que saiu da prisão, Fernando buscava um emprego e cuidava do padrasto, que sofreu um derrame recentemente. De acordo com um amigo do rapaz, o suspeito não estava armado e não participou da tentativa de roubo ao supermercado. “Eu tenho certeza disso porque ele estava comigo cinco minutos antes do crime”, afirmou.

De acordo com outros amigos de Fernando, ele sabia que o carro era roubado. “O Peugeot foi roubado por outras pessoas. Mas estava escondido na garagem dele. O tanto que a gente falou pra ele… O tanto que a mãe dele aconselhou… Ele quis pegar o carro para dar uma volta. E deu no que deu. São escolhas, infelizmente”, diz uma outra pessoa, durante o velório.

Durante uma hora e meia de demora, Fernando, baleado, ficou agonizando e pedindo socorro. Os amigos e familiares foram impedidos pelos policiais de poderem chegar perto. Quando um carro do Corpo de Bombeiros chegou, ele foi levado ao Hospital Geral de Guaianazes, a 6,3 km de distância, enquanto o hospital da Cidade Tiradentes ficava a 3,5 km do local.

Ele deu entrada no hospital por volta das 22h20. De acordo com o médico que atendeu Fernando, ele morreu por volta das 23h por hemorragia causada pelos disparos da arma de fogo. A informação, no entanto, só chegou aos familiares, que aguardavam no local, à 1h30.

“Eu estava lá, olhei no olho do policial, um alemão forte, e disse que a gente era igual. Que ninguém podia torcer pela morte do seu semelhante, como ele estava torcendo. Ele deu risada, saiu com os outros PMs do hospital e disse: agora vocês se resolvam com eles [do hospital] aí”, afirmou um amigo do Fernando durante o enterro, em tom de desabafo.

De acordo com a Polícia Civil, os PMs afirmaram que tentaram identificar câmeras de monitoramento para esclarecer os fatos, mas não encontraram nada. “Eles chegaram a entrar na casa das pessoas. Mexeram no celular de todo mundo, querendo saber se alguém gravou alguma coisa”, disse uma garota.

Na delegacia, a dona do carro afirmou que não reconheceu Fernando como um dos ladrões que roubaram seu veículo no começo do mês. O delegado Fabrício Cintra Eigenher entendeu a ação policial como legítima defesa.

A reportagem procurou as assessorias de imprensa da Polícia Militar e da Secretaria da Segurança Pública, comandada pela empresa terceirizada CDN Comunicação, mas nenhuma delas respondeu aos questionamentos da Ponte Jornalismo:

– Fernando Henrique estava em um carro roubado e a suspeita é de que ele havia tentado roubar um supermercado e que estava em fuga. Por gentileza, podem confirmar a suspeita?

– Testemunhas afirmaram que o caso aconteceu às 20h30 (e não às 21h, como no BO). É verdade?

– Por que os policiais demoraram mais de quatro horas para comunicar o caso?

– Por que o resgate chegou ao local apenas uma hora e meia depois da suposta troca de tiros?

– Por que não o levaram ao Hospital Cidade Tiradentes, que era mais próximo do que o Hospital Geral de Guaianazes?

 

Fonte: http://ponte.org/pms-prendem-rapaz-o-colocam-de-joelhos-e-atiram-em-seu-peito-dizem-vizinhos/