Polícia

Um em cada seis homicídios no Rio foi cometido por policiais em 2016

17/02/17 06:00

 

Em 2016, uma a cada seis pessoas assassinadas no Rio foi morta por um policial. De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), no ano passado, foram registrados 5.953 homicídios no estado. Desse total, 920 são os chamados autos de resistência — quando o policial alega que matou um criminoso em legítima defesa.

O número de autos de resistência no Rio em 2016 é o maior desde 2009, quando o projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) estava em seu início. Desde 2013 — quando o número de autos de resistência foi o menor registrado na série histórica contabilizada pelo estado —, o índice não para de aumentar ano a ano. De 2015 para 2016, o aumento foi de 43%.

A proporção entre homicídios e autos de resistência também é a maior desde 2009. Em 2013, somente 8% das mortes era cometidas por policiais. As áreas que registraram maior número de autos resistência durante todo o ano foram as patrulhadas pelo 41º BPM (Irajá) — 117 autos de resistência — e pelo 7º BPM (São Gonçalo) — 101. Juntos, as duas regiões registraram 23% dos autos de resistência do estado.

O número de mortos pela polícia assusta ainda mais quando comparado com o de outros países. O jornal britânico “The Guardian” contabiliza o número de mortos pela polícia nos Estados Unidos. Em 2016, foram 1.092 pessoas assassinadas em todo o território americano, que tem mais de 300 milhões de habitantes. A população do Rio chega a 16 milhões.


Fonte: http://extra.globo.com/casos-de-policia/um-em-cada-seis-homicidios-no-rio-foi-cometido-por-policiais-em-2016-20940865.html#ixzz4ZG4JHH4y



Mais de 700 PMs do Espírito Santo são indiciados por crime de revolta

10 Fevereiro 2017 | 11h34 
Atualizado 10 Fevereiro 2017 | 11h39

Polícia diz que nº de responsabilizados deve ser ainda maior e secretário afirma que será necessário reconstruir a PM; pena pode chegar a 20 anos de prisão 

 

VITÓRIA - Após o fracasso nas negociações com policiais militares do Espírito Santo, o governo capixaba decidiu endurecer com os PMs e com as mulheres líderes do motim. No total, 703 policiais militares já foram indiciados por crime de revolta, que é um motim realizado por PMs armados. A pena prevista para os policiais envolvidos pode chegar a 20 anos de prisão. As mulheres líderes do movimento também serão responsabilizadas pelos custos com a mobilização das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança."Está iniciado o processo de responsabilização, tanto no aspecto militar quanto criminal", declarou o secretário estadual de Segurança Pública do Espírito Santo, André Garcia. 

Ele concedeu entrevista coletiva acompanhado dos comandantes da Polícia Militar, coronel Nylton Rodrigues, da Polícia Civil, Guilherme Daré, e de outras autoridades.

Rodrigues disse que "com certeza" o número de PMs indiciados "irá aumentar muito" ao longo do dia. Ele ressaltou que a maioria dos envolvidos são policiais de início de carreira. A patente mais alta já identificada é de subtenente. O coronel explicou ainda que todo crime que envolve policial militar e que é punido com mais de dois anos de prisão é automaticamente expulso da corporação.

"Criamos uma força-tarefa na Corregedoria para dar celeridade, com isenção e sem perseguição, nos procedimentos", declarou André Garcia. "Quem for indiciado daqui para frente, ou for iniciado um processo administrativo, terá seu ponto cortado desde sábado. Do sábado para frente, a folha da Polícia Militar está bloqueada."

Os PMs também não terão férias no momento. "Estão suspensas as férias porque estamos diante de um quadro configurado como crime, motim."

Reconstrução da PM. 

O secretário falou em reconstruir a PM. "É preciso que a gente reconstrua uma nova Polícia Militar. Vai ser pedra sobre pedra. Vamos reconstruir uma polícia que não volte suas costas para a sociedade", afirmou Garcia. "Torna a sociedade refém da criminalidade, tendo como pano de fundo interesses meramente corporativos."

Garcia também afirmou que as mulheres líderes do movimento serão responsabilizadas. "Estamos identificando com imagens, e diversas já foram identificadas. As imagens serão encaminhadas para o Ministério Público Federal, que solicitou a identificação das responsáveis por esse movimento", disse. "Elas serão responsabilizadas pelos custos das Forças federais mobilizadas: as Forças Armadas e a Força Nacional de Segurança."

 

ENTENDA A CRISE NO ESPÍRITO SANTO

Familiares e amigos de policiais militares no Espírito Santo começaram, na noite de sexta-feira, 3, a fazer manifestações impedindo a saída das viaturas para as ruas e afetando a segurança dos municípios.  Sem reajuste há quatro anos, os PMs reivindicam aumento salarial e melhores condições de trabalho.

O motim dos policiais levou a uma onda de homicídios e ataques a lojas. Com medo, a população passou a evitar sair de casa e donos de estabelecimentos fecharam as portas. Os capixabas já estocam comida

Na segunda-feira, 6, a prefeitura de Vitória suspendeu o funcionamento das escolas municipais e de  unidades de saúde. 

Também na segunda, o governo federal autorizou o envio da Força Nacional e das Forças Armadas para reforçar o policiamento nas ruas de cidades do Espírito Santo. Apesar do reforço, o clima de tensão se manteve no Estado. 

A morte de um policial civil na noite de terça-feira, 7, motivou uma paralisação da categoria na quarta, agravando ainda mais a crise de segurança no Espírito Santo. 

Para tentar conter o motim, o governo criou na quarta-feira, 8, um comitê de negociação com representantes do movimento que impede a saída de policiais militares dos batalhões das principais cidades do Estado. 

 

Fonte: http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,mais-de-700-pms-do-es-sao-indiciados-por-crime-de-revolta,70001660850 

PMs de São Paulo são presos com ‘kit flagrante’ dentro da viatura

Por Luís Adorno, na Ponte Jornalismo, 1 de fevereiro de 2017

  Soldados que atuam na região do Grajaú estavam na Brasilândia, zona norte, com duas cervejas e duas malas cheias de drogas no porta-malas do carro da corporação

  Dois soldados que atuam na região do Grajaú, zona sul de São Paulo, foram presos em flagrante, por volta das 21h da última segunda-feira (30/01), com grande quantidade de drogas dentro da viatura.

  O kit flagrante, que poderia ser usado para forjar prisões, por exemplo, estava com os soldados de 1ª classe do 50º Batalhão da PM, no Jardim Guanabara, André Nascimento Pires e Rodrigo Guimarães Gama.

 

O flagrante ocorreu na rua Vitória Régia, na Brasilândia, zona norte da capital. Um tenente e um capitão da Corregedoria averiguaram a viatura número M-50315, que continha duas cervejas no porta-malas e outras duas malas cheias de drogas.

  Após a averiguação, os corregedores inspecionaram o armários e os carros particulares dos PMs. Nada foi localizado. Eles foram conduzidos à Corregedoria para prestar esclarecimento acompanhados pelo responsável da área do 50º Batalhão.

  Às 18h27 desta terça-feira (31/01), a reportagem da Ponte Jornalismo solicitou à SSP (Secretaria da Segurança Pública), através de sua assessoria de imprensa, a empresa terceirizada CDN Comunicação, um posicionamento sobre o caso.

  A reportagem questionou quantos gramas e quais drogas foram apreendidas com os PMs. Também perguntou se foi aberto inquérito para apurar o caso e onde os PMs estão no momento.

  Em nota enviada às 20h15, a SSP afirma: “A Corregedoria da Polícia Militar informa que prendeu em flagrante dois policiais do 50º BPM/M. Em vistoria feita na noite de segunda-feira (30/01), agentes da Corregedoria encontraram duas latas de cerveja pela metade e uma mala com drogas na viatura que os dois soldados ocupavam. Os dois PMs, que afirmam desconhecer a origem da droga, foram encaminhados para o presídio Militar Romão Gomes. A Corregedoria irá abrir processo exclusório para os dois.”

 

http://www.revistaforum.com.br/2017/02/01/pms-de-sao-paulo-sao-presos-com-kit-flagrante-dentro-da-viatura/

PMs da zona sul de SP são presos com ‘kit flagrante’ dentro da viatura

Soldados que atuam na região do Grajaú estavam na Brasilândia, zona norte, com duas cervejas e duas malas cheias de drogas no porta-malas do carro da corporação

 

Dois soldados que atuam na região do Grajaú, zona sul de São

Paulo, foram presos em flagrante, por volta das 21h da última

segunda-feira (30/01), com grande quantidade de drogas

dentro da viatura.

 

O kit flagrante, que poderia ser usado para forjar prisões, por

exemplo, estava com os soldados de 1ª classe do 50º Batalhão

da PM, no Jardim Guanabara, André Nascimento Pires e

Rodrigo Guimarães Gama. Eles devem responder por tráfico de

drogas.

 

O flagrante ocorreu na rua Vitória Régia, na Brasilândia, zona

norte da capital. Um tenente e um capitão da Corregedoria

averiguaram a viatura número M-50315, que continha duas

cervejas no porta-malas e outras duas malas cheias de drogas.

 

Após a averiguação, os corregedores inspecionaram o armários

e os carros particulares dos PMs. Nada foi localizado. Eles

foram conduzidos à Corregedoria para prestar esclarecimento

acompanhados pelo responsável da área do 50º Batalhão.

 

Às 18h27 desta terça-feira (31/01), a reportagem da Ponte

Jornalismo solicitou à SSP (Secretaria da Segurança Pública),

através de sua assessoria de imprensa, a empresa terceirizada

CDN Comunicação, um posicionamento sobre o  caso.

 

A reportagem questionou quantos gramas e quais drogas foram

apreendidas com os PMs. Também perguntou se foi aberto

inquérito para apurar o caso e onde os PMs estão no momento.

 

Em nota enviada às 20h15, a SSP afirma: “A

Corregedoria da Polícia Militar informa que prendeu em

flagrante dois policiais do 50º BPM/M. Em vistoria feita

na noite de segunda-feira (30/01), agentes da

Corregedoria encontraram duas latas de cerveja pela

metade e uma mala com drogas na viatura que os dois

soldados ocupavam. Os dois PMs, que afirmam

desconhecer a origem da droga, foram encaminhados

para o presídio Militar Romão Gomes. A Corregedoria

irá abrir processo exclusório para os dois.”

 

 

 

Fonte: http://ponte.cartacapital.com.br/pms-da-zona-sul-de-sp-sao-presos-com-kit-flagrante-dentro-da-viatura/ 

 

Mecânico morre após ser agredido por PM na Grande SP

Por Glauco Araújo, G1 São Paulo
30/01/2017 05h30 
Viúva chamou a polícia para ajudá-la a tirar os pertences da casa onde vivia com o marido. Ouvidoria pediu que corregedorias das polícias Civil e Militar apurem o caso.
''Esse policial tem de entender que ele matou um pai de família”. Foi dessa forma que a atendente Fernanda Camargo, 36 anos, descreveu a morte do marido, o mecânico Eduardo Alves dos Santos, 42 anos, às 19h do dia 16 de janeiro, em Itapevi, na Grande São Paulo.
Ele morreu cerca de três horas e meia depois de ser agredido por um policial militar, que foi chamado por Fernanda, para que lhe desse apoio para buscar pertences pessoais e trocasse o carro com o marido.
Fernanda disse ao G1 que chamou a polícia por temer que o marido ficasse irritado com sua saída de casa. “Ele estava com meu carro e eu estava com o dele. Como ele tinha problema de alcoolismo, eu fiquei preocupada que ele pudesse dificultar as coisas. Era para os policiais darem apoio, não para espancar e matar meu marido.”
A declaração de óbito informa que a causa da morte foi “hemorragia interna traumática, agente contundente.”

“Eu cheguei em casa e ele estava trabalhando na oficina, no andar de baixo, e ele me disse que não iria deixar levar nada, que só faria isso na Justiça. Foi aí que eu chamei uma viatura. Os policiais chegaram e eu expliquei a situação. Um dos policiais ficou conversando comigo e o outro ficou com ele lá dentro da oficina”, disse Fernanda.
Os policiais que atenderam ao chamado dela foram Adriano Soares de Araújo e Rafael Francisco de Vasconcelos. O primeiro ela descreve como “agressivo e descontrolado”. O segundo ela descreve como “calmo e quem tentou conter o colega policial.”
Fernanda disse que “meu marido estava distraído com o carro e o funcionário dele, pois tinham de entregar um carro naquele dia, Ele virou o rosto para olhar o carro e aí o policial Araújo bateu no ombro do meu marido dizendo: ‘Eduardo, estou falando com você’. E enfiou o dedo na cara do meu marido.”


"Olha o que você fez na minha farda"
Em seguida, ela relatou que o marido tentou argumentar, dizendo que resolveria tudo com ela ou na Justiça. “Meu marido disse: ‘mas moço, porque você está fazendo isso comigo? Eu não sou bandido, sou trabalhador, estou na minha casa e preciso entregar esse carro hoje.’ Foi quando o policial Araújo pegou meu marido pelo pescoço e o jogou em cima do carro. Ele deu uma rasteira no meu marido, que pegou a farda do policial, que acabou rasgando.”
Ela disse que o policial ficou transtornado quando viu que sua farda estava rasgada. “O Araújo gritava ‘Olha o que você fez na minha farda, olha o que você fez na minha farda. Você está preso’. Ele depois deu um chute no rosto do meu marido, que ficou com o olho roxo e inchado. Eu fui até o policial e pedi para ele não fazer isso com meu marido. O Araújo gritou: ‘não foi você que chamou a gente? Eu respondi que tinha chamado, mas não para agredir meu marido.” 

Depois disso, Fernanda disse que o policial “saiu chamando reforço pelo celular e voltou com um cassetete na mão. Ele entrou e voltou a agredir meu marido de novo, bem na hora que meu marido, já mais calmo, estava sentado no chão com dores e conversando com o outro policial. O Araújo chegou e deu umas cacetadas nas pernas, no braço, na cabeça e na barriga.”

O G1 teve acesso às imagens da câmera de segurança da oficina, que estava virada para a rua. É possível ver que o policial volta para a viatura, pega o cassetete e entra novamente na oficina.
O trecho seguinte das imagens mostra outras viaturas chegando e, cerca de cinco minutos depois, o mecânico sendo retirado da oficina e levado, algemado, para o carro de polícia.
Foram cerca de sete minutos até que o mecânico fosse levado para a delegacia de Itapevi. O trajeto demora cerca de dez minutos. “Lá, ele foi colocado numa sala sozinho. Eu consegui entrar na salinha e vi que tinha muito sangue no chão. Ele estava cuspindo sangue pela boca e pelo nariz. Ele pedia muita água. Ele estava morrendo e eu gritei pedindo ajuda para todos que estavam ali.”
Fernanda relata em seu depoimento à Ouvidoria da Polícia que policiais chegaram a duvidar que o marido estivesse passando mal e ainda teriam dito para ela que “aquilo era abstinência de cachaça”.

"Amor SAMU"
A viúva reclama que o marido poderia estar vivo se tivesse recebido atendimento médico a tempo ou sido levado ao hospital ao invés de ser levado para a delegacia. “Eles demoraram para chamar o SAMU. Quando meu marido estava praticamente morto, toca um telefone na mesa e o Araújo pede para eu atender. Achei estranho que na tela do celular dele apareceu “amor SAMU”. Só depois soube que era a mulher do policial”.
Fernanda disse que a mulher do policial falou com ela pelo telefone e passou instruções para os primeiros socorros. “Achei estranho que ele ligou primeiro para a mulher do que para o atendimento do SAMU mesmo. A mulher pediu para eu enfiar o dedo no olho do meu marido. Como ele não reagiu, ela disse que meu marido estava em para cardiorrespiratória. Ninguém ali ajudou, eu mesmo fiz a massagem cardíaca no meu marido. Só depois, muito tempo depois, que o Araújo, vendo a gravidade do que ele tinha feito, foi ajudar.”
A viúva disse que a ambulância do SAMU demorou cerca de 25 minutos para chegar até a delegacia. “Ele praticamente morreu nos meus braços. Eu quero só a Justiça, quero que a Justiça seja feita. Não consigo viver com isso, que ele foi morto na minha frente, que eu chamei a viatura, me sinto também culpada. Eu chamei, mas eu não chamei para matar, era para dar um apoio naquela hora. Se ele sofria de alcoolismo, que levassem ele para um hospital, mas não ser agredido e morto.”
O mecânico foi levado para o Pronto Socorro Central de Itapevi, onde morreu.

Corregedorias
Foram registrados dois boletins de ocorrência sobre o caso. O primeiro é de resistência. O segundo é de morte suspeita. Agora, a Ouvidoria da Polícia pediu que o caso seja investigado pelas corregedorias das polícias Civil e Militar e também pediu providências ao Ministério Público.
“O policial agressor precisa ser investigado por tortura seguida de morte. Os policiais militares e civis precisam ser investigados por omissão de socorro. Os policiais civis também precisam ser investigados por prevaricação, já que o abuso de autoridades e as lesões corporais não foram registradas no primeiro BO”, disse Ariel de Castro Alves, membro do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Estado de São Paulo (Condepe)
Outro lado
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo informou que o inquérito policial foi instaurado na Delegacia de Itapevi e o delegado aguarda o laudo do exame necroscópico para apontar a causa da morte. A pasta informou ainda que Fernanda e a mãe já prestaram depoimento.
Ainda segundo a SSP, o comando do 20º Batalhão instaurou inquérito policial militar.
A PM informou, na mesma nota, que apresentou uma ocorrência de violência doméstica após ser acionada pela própria mulher, que denunciou o marido por agressão.
No entanto, o próprio boletim de ocorrência não cita violência doméstica, nem agressão sofrida por Fernanda, que descartou fazer qualquer denúncia sobre isso.
Ainda segundo a PM, não houve omissão de socorro e a vítima recebeu os primeiros socorros ainda na delegacia, com massagem cardíaca na hora que passou mal. A PM também informou que o SAMU foi acionado e socorreu o mecânico com vida.