Cidadania e Justiça

Mães Mogianas fazem ato para marcar um ano de luta por justiça

 

Manifestação acontece neste sábado (17/12) na região central de Mogi das Cruzes (SP). Até o momento, apenas dois policiais estão em prisão preventiva

 

O movimento Mães Mogianas realiza ato no próximo

sábado (17), a partir das 10h, na praça da Marisa, região

central de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, para

marcar o primeiro ano do grupo que reivindica justiça

para os casos de chacinas que deixaram pelo menos 21 de

jovens mortos, entre 21 de novembro de 2014 e 8 de junho

de 2015, de acordo com levantamento do movimento.

 

O objetivo da manifestação é “chamar atenção da população”

para as chacinas que aconteceram na cidade, conforme

explicou Claudete Rodrigues, mãe de Matheus Aparecido da

Silva, assassinado em 15 de novembro de 2013, quando tinha

16 anos.De acordo com a nota que convida para o evento, as

investigações só começaram porque “as mães do Caputera

[bairro da periferia de Mogi das Cruzes] botaram a boca no

trombone, procuraram outras mães de Jundiapeba, Vila Natal

[também bairros periféricos]”.

 

Os policiais militares Fernando Cardoso Prado de Oliveira e

Vanderlei Messias Barros são os únicos que estão presos

preventivamente por envolvimento nas chacinas. No entanto,

as mães acreditam que há outros envolvidos.

 

Ivani Lira Santos, mãe de Breno Santos Vale, que tinha 14 anos

quando foi morto, em 24 de janeiro de 2015, acredita que o ato

serve para mostrar aos assassinos que as vítimas têm família e

que lutam por justiça.

 

“Quero mostrar para eles que meu filho era uma criança que

teve o sonho interrompido. Tinha futuro pela frente, tinha

sonhos e eles tiraram a vida do meu filho e tiraram um pedaço

de mim também, porque depois da perda do meu filho, eu

morri também junto com ele. Hoje eu sou uma morta viva”,

disse Ivani.

 

Ato Mães Mogianas

Data: Sábado, 17 de dezembro de 2016

Horário: a partir das 10h

Local: Praça da Marisa, centro de Mogi das Cruzes

 

 

Fonte: http://ponte.cartacapital.com.br/maes-mogianas-fazem-ato-para-marcar-um-ano-de-luta-por-justica/

 

 

Justiça absolve PM acusado de participar da chacina de 8 de agosto de 2015 em Carapicuíba

O cabo da Polícia Militar Victor Cristílder Silva dos Santos,

integrante da Força Tática do 20º Batalhão da PM, em Barueri,

e conhecido como Boy, preso pela morte de Michael do Amaral

Ribeiro, durante uma série de ataques na madrugada de 8 de

agosto de 2015, em Carapicuíba, na Grande São Paulo, foi

absolvido pela Justiça de São Paulo nesta terça-feira (13/12).

 

De acordo com denúncia do Ministério Público, o PM prestava

serviços de segurança a um comércio local e acabou formando

uma milícia para vingar delitos praticados contra policiais

militares. Também naquele dia 8, foram registradas execuções

em Barueri e Osasco.

 

O grupo, de acordo com o MP, teria se revoltado com o

assassinato do cabo da PM Admilson Pereira de Oliveira em

um posto de gasolina, em Osasco, no fim da manhã do dia 7 de

agosto. Por isso, programou uma chacina para o dia seguinte,

visando aqueles que entendia serem os responsáveis pelo

crime.

 

De acordo com decisão da 1ª Vara Criminal da

Comarca de Carapicuíba, além da atividade de cabo da

PM, ele fazia bico de escolta armada, de segunda a

segunda, trabalhando dia sim, dia não, de acordo com

a escala da Polícia Militar.

 

“Disso, entendo como humanamente impossível o

acusado exercer essas duas atividades, além de

constituir, organizar e integrar uma organização

paramilitar – simplesmente não daria tempo para o

exercício dessas três atividades”, determina a

sentença.

 

"Afasto a acusação de que o acusado integra

organização paramilitar, milícia privada com a

finalidade de cometer crimes, em especial o homicídio,

tal como narra a denúncia”, complementa.

 

A Justiça também põe em xeque o depoimento da

testemunha de acusação. “A testemunha afirma que os

disparos ocorreram por volta das 2h05 daquele dia.

Nesse horário, o PM afirmava que estava na Base da

Força Tática do 20º BPM, em Osasco. A alegação do

réu é confirmada pelos depoimentos das testemunhas

[de defesa]”

 

Assim, a acusação de homicídio simples contra Victor

Cristílder Silva dos Santos foi julgado como improcedente em

referência à chacina do dia 8. No entanto, não foi expedido

alvará de soltura. O policial segue preso por causa do processo

da chacina de Osasco, ocorrida dia 13 de agosto de 2015.

 

O reconhecimento do PM “boy”

 

Michael Ribeiro foi executado a tiros durante a matança que

ocorreu na Grande São Paulo em agosto do ano passado. A

investigação apontou que o crime, praticado na rua Alvorada,

teve a participação de Victor Cristilder, conhecido como “boy”

e outras pessoas ainda não identificadas. O policial praticou a

execução, efetuando disparos contra a vítima, e ainda ocultou

o cadáver, que foi arremessado em um córrego, de acordo com

a denuncia apresentada pelo MP.

 

Conhecida como “Testemunha 795” na apuração sobre as

mortes Osasco, Barueri, Itapevi e Carapicuíba, ocorridas entre

8 e 13 de agosto, após a morte de um PM e de um GCM (guarda

civil metropolitano) na região, uma pessoa cuja identidade é

preservada por medo de represálias, identificou o policial

militar Cristilder como responsável pelo assassinato de

Michael do Amaral Ribeiro.

 

Por volta das 2h56 de 8 de agosto, “795” e Ribeiro estavam na

rua Alvorada, em Carapicuíba, saindo de um bar, quando dois

homens desceram de um Honda Civic que estava estacionado

havia cerca de uma hora na mesma rua.

 

Enquanto caminhavam, já perto de uma ponte, “795” e Ribeiro

foram abordados pelos dois homens do Civic, que estavam

armados. Ao olhar para um deles, “795” o reconheceu como

um morador de Carapicuíba conhecido como “boy”. Assim que

os dois homens foram na direção de Ribeiro, “795” pensou que

eles iam conversar com ele.

 

Menos de dez segundos após a abordagem de Oliveira e sem

dizer nada, um dos homens, aquele conhecido como “boy”,

começou a atirar contra Oliveira. Foi nesse momento que

“795” correu e conseguiu escapar.

 

Quando estava distante cerca de 250 metros de onde Oliveira

havia sido baleado, “795” encontrou outro amigo de infância e

pediu uma carona até sua casa. Passados cinco minutos, os

dois voltaram a pé ao local onde Oliveira havia sido baleado,

mas o corpo do amigo de “795” não estava na rua. A vítima dos

tiros só foi encontrada dentro de um córrego, de onde foi

retirada por “795” e outro amigo.

 

A testemunha “795” foi à casa de Oliveira e avisou a mãe dele

sobre o crime contra o filho. A Polícia Militar foi chamada por

ela, mas “795” não falou para ninguém que havia reconhecido

“boy” como um dos dois assassinos do amigo.

 

Naquela madrugada de 8 de agosto, “795” foi levado para a

delegacia por dois PMs que estavam em um carro Palio

Weekend da corporação. No trajeto do local do crime até o

distrito policial, revelou “795”, os dois PMs o ameaçaram

diversas vezes.

 

“Você não viu nada, você não sabe de nada! Se abrir a boca,

vou ferrar com você e com a sua família!” – foi o que “795”

relatou como dito pelo PM que estava no banco do passageiro

do carro. O PM, ainda segundo “795”, disse que ia colocar

drogas onde ela mora para “ferrar com todo mundo”.

 

Enquanto era ameaçado pelo PM passageiro, o PM motorista

dava risadas. Esses dois PMs também já eram conhecidos de

“795”, pois fazem trabalhos como segurança particular em um

açougue e em um supermercado de Carapicuíba. Os dois

comércios têm seus esquemas de segurança controlados pelo

Victor Cristilder Silva dos Santos, o PM conhecido como “boy”.

 

Somente depois de vários dias da morte do amigo, “795”

resolveu contar o que sabia à Polícia Civil. Segundo a

testemunha, o PM “boy” estava tentando intimidá-la e, toda

vez que o via pelas ruas de Carapicuíba, encostava seu carro,

um Sandero prata, perto dela e baixava o vidro para ficar a

encarando. Um Sandero prata também foi usado nos ataques

ocorridos em Barueri.

 

A testemunha “795” também afirmou à Polícia Civil que “boy”,

o PM, comanda um esquema de segurança particular e

fornecendo os serviços de PMs e GCMs para os comércios de

Carapicuíba. Somente em um mercado, “boy” montou uma

força privada de vigilância que conta com cinco PMs – três

para o dia e dois para o turno da noite. Para “795”, “boy” é

comandante de uma milícia que age em parte de Carapicuíba.

 

Um dos PMs com quem “boy” tem ligações, segundo a

investigação, é conhecido como De Paula. O pai desse PM é

dono da casa onde “boy” mora.

 

Acordo entre o PM “boy” e chefe do PCC

 

Um dos pontos revelados por “795” sobre a morte de Oliveira

investigados pela Polícia Civil diz respeito a um encontro entre

“boy”, o PM, e um homem conhecido em Carapicuíba como

Irmão China, investigado sob a suspeita de integrar e chefiar a

facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) em parte

da região oeste da Grande São Paulo.

 

A testemunha revelou aos investigadores que, em 19 de

setembro, “boy” e China se encontraram para firmar um

acordo: ninguém deveria abrir a boca sobre a morte de

Oliveira, o amigo de “795”. Caso alguém falasse, essa pessoa

seria morta.

 

Um dia após a reunião entre o PM e China, “795” foi procurado

por China para uma conversa, mas ele se recusou a ir ao

encontro. A testemunha fez o reconhecimento fotográfico de

China e sua identidade foi revelada como Adalberto Elias de

Sousa.

 

Outro PM apontado como do ciclo de relacionamentos de Boy

é investigado como dono de uma pizzaria em Carapicuíba. O

irmão desse PM, também ex-dono de uma agência de carros na

cidade, é conhecido como Júnior ou Panda e, segundo “795”,

envolvido com um esquema de roubo de cargas e de explosões

de caixas eletrônicos.

 

Em seu depoimento à Polícia Civil, “795” também

contou aos investigadores Oliveira, o amigo de “795”

morto em agosto, havia recebido um convite do PM

“boy”: os dois amigos receberiam R$ 500 para

descarregar um carga roubada. A testemunha “795”

afirmou ter recusado a oferta, mas não sabe dizer se

Oliveira fez ou não o trabalho. 

 

 

Fonte: http://ponte.cartacapital.com.br/justica-absolve-pm-acusado-de-participar-da-chacina-de-8-de-agosto-de-2015-em-carapicuiba/ 

 

‘Ouvir que o PM foi inocentado foi como se tivessem matado meu filho de novo’

Inconformada com o resultado do julgamento nesta semana, mãe de Douglas Rodrigues vai recorrer da sentença que inocentou o policial que matou o filho há 3 anos

 

Era um domingo, 27 de outubro de 2013, quando Rossana

Martins de Souza se arrumava para ir a festa de aniversário de

um sobrinho. O filho do meio, Diego, iria acompanha-la. O

mais velho, Douglas, disse que preferia aproveitar o dia com os

amigos. “Eu tinha passado na minha mãe, que fica aqui do

outro lado da rua e quando estava quase entrando em casa, o

Diego chegou correndo, com os olhos arregalados e disse ‘Mãe,

o Douglas levou um tiro’”, relembra a costureira Rossana, na

sala de visitas da casa dela que é também o local de trabalho.

Ela, aliás, lembra todos os detalhes daquele dia: “Não tem um

dia na vida que esqueço do Dodô. E não consigo acreditar e não

quero acreditar até hoje que ele morreu daquela maneira. Pelas

mãos de um policial”.

 

Na semana em que a Justiça inocentou o PM Luciano Pinheiro,

que disparou contra Douglas, Rossana recebeu a Ponte

Jornalismo na casa dela, no Jardim Brasil, a poucas quadras da

Rua Bacurizinho, onde o filho foi assassinado. “Eu vou

recorrer. No dia que fui me despedir do meu filho, prometi a

ele que faria justiça e eu vou até o fim”, afirma. Na decisão, o

juiz considerou que uma falha na pistola .40 Taurus, que é a

utilizada pela corporação, foi a responsável pelo tiro, para a

justiça, acidental.

 

Atualmente, Rossana afirma que se apega às boas lembranças

do filho para seguir em frente. Ela se recorda das camisetas

que  foram feitas na época do crime, incluindo a que ela estava

vestindo no dia da entrevista. “Eu uso as camisetas dele direto,

durmo com elas. De alguma forma é um jeito de ele estar

sempre perto de mim”, afirma, emocionada. Mais de mil

camisetas foram confeccionadas. E teve uma parte delas que

foi feita pelas mãos de Rossana. “Quando eu tava costurando

as camisetas, era como se eu estivesse preparando alguma

coisa para o Douglas. Uma festa surpresa, um bolo. Não é

porque ele não está mais aqui que eu não vou cuidar mais dele.

Essa camiseta é uma forma de continuar, de dar um pouquinho

mais de ânimo para conseguir ficar de pé”, relata.

 

Rossana mostra com carinho um álbum de fotos que confirma

o discurso dela: de que Dodô, como ela o chamava, era um

menino sorridente e vivia cercado de amigos. Também faz

questão de mostrar a placa que foi feita a partir de um grafite,

assinado pelo Bonga, que ficou por quase dois anos no muro da

rua Bacurizinho. Quando o terreno foi vendido, o muro teria

que ser pintado. Foi então que um pastor da Assembleia de

Deus Semeando a Palavra e moradores da rua tiveram a ideia

de eternizar a arte em uma placa. “O muro tinha uma história

e essa história não poderia ser apagada”. No grafite, o trecho

de um famoso salmo: “Ainda que eu andasse pelo vale da

morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo”.

Rossana diz que considera o texto lindo e que tem fé em Deus,

mas admite que depois que o filho partiu, nunca mais entrou

numa igreja.

 

 

Fonte: http://ponte.cartacapital.com.br/ouvir-que-o-pm-foi-inocentado-foi-como-se-

tivessem-matado-meu-filho-de-novo/ 

 

Absolvido PM que matou Douglas, autor da frase “por que o senhor atirou em mim?”

 

Justiça Militar aceitou versão do PM Luciano Pinheiro Bispo de que arma disparou por acidente 

 

O Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo absolveu

o policial militar Luciano Pinheiro Bispo pela morte do

estudante Douglas Martins Rodrigues, assassinado quando

tinha 17 anos. O caso aconteceu no Jardim Brasil, na zona

norte de São Paulo, em 28 de outubro de 2013. A decisão foi

divulgada nesta noite pela 3ª Auditoria Militar Estadual.

 

Após abordagem, Douglas foi atingido por um disparo,

apontado por Bispo como acidental. As últimas palavras do

menino, “Por que o senhor atirou em mim?“, viraram símbolo

nos protestos pedindo o fim do extermínio de jovens negros

nas periferias.

 

Segundo a decisão do juiz, faltam provas para determinar a

intenção do policial em atirar intencionalmente e assassinar

Douglas. Um armeiro prestou depoimento e apontou haver

problema na arma usada neste caso, sendo preciso apenas “um

chacoalhão” para ela disparar.

 

“O juiz chegou à conclusão que não tem provas suficientes

para condená-lo. Estava marcado para 17h, deu 17h10… Foi

rápido. Da mesma maneira que levaram vida meu filho, em

cinco minutos, foi dada a noticia. Tenho até cinco dias para

recorrer e falei para o advogado que vou recorrer”, explica a

mãe de Douglas, Rossana Martins de Souza Rodrigues, de 46

anos, à Ponte.

 

O crime foi julgado na Justiça Militar por ter sido considerado

homicídio culposo (sem intenção de matar). A Constituição, no

artigo 5º, restringe a competência do tribunal do júri para os

crimes dolosos (com intenção) contra a vida.

 

Além de recorrer do processo contra o policial, Rossana irá

questionar na Justiça a fabricante da arma do crime, a Taurus.

“Segundo o promotor, um armeiro que foi lá e deu depoimento

de que a arma, só pelo fato de chacoalhar, ela dispara. Se uma

empresa produz uma arma que dispara dessa maneira,

qualquer um que entrar na frente de um policial pode morrer”,

criticou.

 

“A reação que tive na hora, o sentimento, foi o mesmo choque

de quando recebi a notícia de que alguém atirou no meu filho.

Desespero”, disse.

 

Douglas é mais um Chapa

 

Em entrevista à Ponte Jornalismo em agosto deste ano, o

rapper Emicida lembrou a morte de Douglas no lançamento do

clipe Chapa, que traz histórias de vida de mães que perderam

os filhos assassinados por policiais.

 

“O que me deu um estalo novamente e me fez ver o quanto

isso era urgente e o quanto eu precisava fazer com que mais

gente olhasse pra isso, foi quando a gente teve aquele moleque

de 17 anos no Jardim Brasil que tomou um tiro no peito e ainda

ficou vivo a tempo de perguntar pro policial ‘por que o senhor

atirou em mim?’. Tá ligado? Douglas. Douglas… qualquer um

de nós pode acontecer isso aí”, afirmou à época.

 

“A gente se considera um alvo. Tá ligado? Eu me considero um

alvo. Qualquer um de nós é um alvo. Num país violento como o

que a gente vive. Tá ligado? É o que eu costumo falar até

quando eu interpreto ela no show. Em geral, a gente fala ‘essa

música eu dedico pra fulano, essa música eu dedico pra

ciclano’. Chapa eu dedico pra nóis tudo”, complementou.

 

Outro lado: “a culpa é da arma”, diz advogado

 

Um dos nove advogados contratado para defender o soldado

Luciano Pinheiro Bispo, acusado de homicídio culposo,

Eugenio Carlo Balliano Malavasi afirmou que já esperava a

absolvição do policial. “A Justiça foi feita”, afirmou à Ponte

Jornalismo.

 

A defesa suspeitava, desde o começo da ação penal, que a arma

de fabricação Taurus, tinha problema de fabricação. “Em

nenhum momento, ele foi negligente na sua conduta. Tanto é

verdade que levamos na frente do magistrado e do Ministério

Público um responsável pela fabricação da arma, que

demonstrou a problemática daquela arma. Esse depoimento

levou o MP a postular pela absolvição do Luciano”, disse.

 

Questionado pela Ponte sobre o fato de que, manuseando a

arma, o soldado tirou a vida de um inocente de 17 anos,

Malavasi afirmou que “ele não pode ser culpado por um erro

que não foi dele, e sim da arma”. E complementou: “evidente

que ele está aí para proteger vidas, dar segurança à população.

Óbvio que ele não ficou contente pela morte da vítima”.

 

 

Fonte: http://ponte.org/absolvido-porque-senhor-atirou-em-mim/ 

Processo contra PMs acusados de matar menino Eduardo, no Alemão, é arquivado

29/11/2016 14h28  Atualizado 30/11/2016 13h43

O processo contra os PMs acusados de matar o menino Eduardo de Jesus, de 10 anos, em abril de 2015, no Conjunto de Favelas do Alemão, foi arquivado nesta terça-feira. A decisão teve o voto de dois de três desembargadores.

A mãe de Eduardo, Terezinha de Jesus, lamentou a decisão da 2a Câmara Criminal. "É uma grande injustiça. É porque não é o filho deles que foi morto com um tiro de fuzil na favela", disse ela.

O processo foi arquivado através de um habeas corpus que pedia o trancamento do processo, por inépcia da defesa e ausência de provas. Dois desembargadores já haviam votado a favor do trancamento no dia 22. Nesta terça, um votou contra, alegando que seria uma medida "extrema e prematura". Por maioria de votos, ficou decidido o arquivamento da ação.

"Eles ganharam essa pequena batalha, mas não vão ganhar a guerra. Enquanto eu tiver vida, vou lutar pela justiça do meu filho", disse Terezinha. Ela disse ainda que sairá do Rio depois do dia 13: "Depois do que aconteceu hoje, tenho medo de ser ameaçada", disse ela. Teresa voltará para o Piauí, sua terra natal, pelo menos para as festas de final de ano.

A Defensoria Pública já declarou que pretende recorrer no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Brasília. "Vamos à Procuradora responsável pelo caso para que leve o caso a essa instância", disse o defensor público Daniel Lozoya.

Na última semana, dois dos três desembargadores da 2ª Câmara Criminal já haviam votaram a favor do habeas corpus, mas o julgamento foi suspenso depois que outro desembargador, Paulo de Tarso Neves, pediu vista do processo. Os magistrados voltaram a se reunir nesta terça.

Na sessão anterior, os desembargadores que votaram pela concessão do habeas corpus citaram como motivo a "inépcia" da denúncia e a falta de provas. A investigação da Divisão de Homicídios (DH) da Polícia Civil não foi capaz de identificar qual dos dois policiais militares envolvidos na operação que resultou na morte de Eduardo teria feito o disparo.

Na conclusão do inquérito, divulgada em novembro de 2015, a polícia alegou ainda que o tiro foi disparado pelos PMs em legítima defesa, mas que houve "falha na execução". Na ocasião, os policiais faziam operação contra traficantes de drogas e o garoto ficou na linha de tiro.

 

Relembre o caso

Eduardo de Jesus foi morto por um tiro na porta de casa, no fim da tarde de 2 de abril de 2015, na localidade Areal. Segundo o laudo da perícia, a criança foi atingida por uma bala de “alta energia cinética”, possivelmente disparada de um fuzil. A doméstica Terezinha Maria de Jesus, mãe do menino, disse na ocasião que seu filho havia sido morto por um policial.

“Eu marquei a cara dele. Eu nunca vou esquecer o rosto do PM que acabou com a minha vida. Quando eu corri para falar com ele, ele apontou a arma para mim. Eu falei ‘pode me matar, você já acabou com a minha vida’”, afirmou ela ao G1 no dia do crime.

O resultado do inquérito que investigou a morte de Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos, apontou que o menino foi morto na porta de casa por um tiro disparado por policiais durante tiroteio no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, no dia 2 de abril. Como os PMs que faziam parte da operação entraram em confronto com traficantes e o garoto ficou na linha de tiro, as investigações consideraram que os agentes atuaram em legítima defesa e, portanto, não foram indiciados no inquérito, encaminhado ao Ministério Público. 

“Para uma família, quando uma mãe perde o filho, é a pior dor do mundo. Entretanto, nós não podemos fugir do que foi apurado tecnicamente. De acordo com a lei, chegamos à conclusão de que a morte ocorreu durante ato de legítima defesa”, disse, na ocasião, o delegado da DH, Rivaldo Barbosa.

 

 

Fonte: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/processo-contra-pms-acusados-de-matar-menino-eduardo-no-alemao-e-arquivado.ghtml