Segurança Pública

Doria quer financiar bico de policial civil na região da cracolândia

06/12/2016  02h00

A equipe do prefeito eleito, João Doria (PSDB), estuda pagar agentes

da Polícia Civil para que usem seus dias de folga para trabalhar no

combate ao tráfico de drogas na região da cracolândia.

 

A Polícia Civil, subordinada ao governo do Estado, já é responsável

por esse trabalho de inteligência na região. Mas a nova gestão

municipal quer fixar e ampliar essa presença para ao menos amenizar

a entrada de drogas em ruas do centro de São Paulo hoje ocupadas por

usuários de crack.

 

A iniciativa ocorreria por meio da chamada Operação Delegada, criada

na gestão de Gilberto Kassab (PSD) e depois expandida pelo Estado.

 

Atualmente restrito a PMs, esse programa da prefeitura tem 964 vagas

e paga até R$ 25,50 por hora a policiais. Em dias de folga, eles

trabalham no combate ao comércio de produtos irregulares, entre

outras atividades.

 

Agora, a ideia é utilizar também o dia de folga de agentes da Polícia

Civil para ajudar a sufocar o abastecimento de drogas na região.

 

A GCM (Guarda Civil Metropolitana) atua na área, mas o prefeito

Fernando Haddad (PT) reclama que só ações sociais e de saúde não

são suficientes para enfrentar o problema da cracolândia, menos ainda

combater o tráfico.

 

Os responsáveis pela transição de Doria apostam na colaboração da

área de segurança da gestão Geraldo Alckmin (PSDB), padrinho

político do prefeito eleito. Ainda está sendo avaliado, porém, como

seria efetivada essa parceria e se haveria algum empecilho para a ação.

 

SOBRECARGA

 

Segundo o presidente do Sindicado dos Investigadores de Polícia do

Estado, João Batista Rebouças, por lei, os policiais civis poderiam

fazer um bico oficial, apesar de isso nunca ter acontecido.

 

A sobrecarga de trabalho da categoria e seu regime especial,

porém, com horários irregulares, dificultaria a ação na folga.

"O certo seria o policial trabalhar no esquema 12 [horas de

trabalho] por 36 [de folga], mas isso não acontece porque há

defasagem de mais de 5.000 policiais no Estado [são cerca

de 30 mil na ativa]. Eles trabalham muito mais."

 

[...]

 

Disponível na íntegra na fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/12/1838698-doria-quer-financiar-bico-de-policial-civil-na-cracolandia.shtml 

PCC investiu R$ 12 mil em campanha de vice do conselho de direitos humanos

Facção criminosa tentou usar caso do PM Coringa para pedir indenização do Estado de São Paulo 

 

A facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) investiu R$ 12 mil na campanha de Luiz Carlos dos Santos, de 44 anos, para que ele fosse eleito vice-presidente do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana). Em depoimento à Polícia Civil, Santos explicou que existiam duas chapas, uma para presidente e uma para vice. O dinheiro que recebeu da organização foi usado exclusivamente em sua chapa, isentando a presidente do conselho, Maria Nazareth Cupertino. Ele afirma que ninguém do Condepe sabia de seu envolvimento com a facção.

 

Preso na manhã da última terça-feira (22), Santos confessou que presta serviços ao PCC desde 2014. Os policiais perguntaram ao vice-presidente do Condepe se ele pediu dinheiro à facção para gastos em sua campanha para a eleição. Ele negou, mas disse que acabou recebendo “quantias” para ser o presidente do conselho. No entanto, ele optou por se candidatar à vice-presidência porque às vésperas da eleição houve uma composição e porque havia assumido compromissos na frente da Comissão de Violência Policial, ficando sobrecarregado. Assim, afirmou ter indicado ao cargo de presidente Maria Nazareth.

 

À reportagem, o Condepe nega a indicação e explica que o conselheiro Luiz Carlos dos Santos não tinha nem força dentro do conselho e nem voto para tal indicação.

 

Um dos objetivos da facção criminosa ao cooptar Santos era fazer com que ele apresentasse, por meio do Condepe, denúncias de maus tratos em presídios contra o Estado de São Paulo e contra o Brasil em organismos internacionais de defesa dos Direitos Humanos, principalmente na CIDH (Corte Interamericana de Direitos Humanos), órgão autônomo ligado à OEA (Organização dos Estados Americanos), e também na ONU (Organização das Nações Unidas).

 

Luiz Carlos Santos também afirmou à Polícia Civil que recebia determinação da organização criminosa para promover publicidade dos casos envolvendo violência policial, como, por exemplo, as chacinas de Mogi das Cruzes, Carapicuíba e Osasco. Ele também recebia por promover audiências publicas no interior do Estado relacionadas as condições dos presídios paulistas.

 

Em um dos casos revelados pela Ponte Jornalismo, do PM Coringa, que tirou fotos com uma máscara de palhaço, apontando um machado e uma arma contra a cabeça de um jovem negro na zona sul de São Paulo, o vice-presidente do conselho disse que recebeu determinações para mentir. Segundo ele, o advogado José Ribamar o procurou querendo relacionar o caso com um cliente dele, que pertence ao PCC e que é acusado de latrocínio de um policial civil.

 

Após processo de verificação, foi constatado que não se tratava da mesma pessoa. Santos disse à Polícia Civil que ouviu os familiares do cliente de Ribamar na sede do Condepe e que eles informaram que o rapaz era mesmo o jovem que foi vítima do PM Coringa. A ideia da facção neste caso era ingressar com ação contra o Estado inserindo o cliente de Ribamar como se fosse aquele rapaz.

 

Para prestar esses serviços ao crime organizado, Luiz Carlos Santos recebia por mês, normalmente no dia 20, valores que variavam entre R$ 2 mil, R$ 4 mil, R$ 5 mil e R$ 8 mil. Os valores aumentavam à medida em que ele recebia novas atribuições do PCC. Como forma de prestação de contas, ele afirmou à polícia que tirava fotos de tudo e enviava à organização.

 

O vice-presidente do conselho de direitos humanos revelou que tinha medo de ser preso pela ligação que mantém com o PCC desde maio de 2015, quando foi cumprido mandado de busca na casa e escritório da advogada Vanila Gonçalves, investigada junto com seu irmão, Davi Gonçalves, sob a suspeita de prestarem serviços à facção criminosa.

 

Logo após sua prisão, ele afirmou que, na delegacia de Cotia, um homem branco, aparentando ter aproximadamente 35 anos, se aproximou da cela e disse para ele “prestar atenção” no que iria dizer. Ele não sabe se isso partiu de um advogado ou de um policial. Ele acredita que a ameaça partiu de algum ligado ao PCC e que conseguiu ter acesso ao local.

 

Após a Ponte Jornalismo revelar que Luiz Carlos Santos confessou o recebimento da mesada do PCC, o Condepe informou que ele foi afastado do cargo de vice-presidente do órgão.

 

Fonte: http://ponte.org/pcc-investiu-r-12-mil-em-campanha-de-vice-do-conselho-de-direitos-humanos/ 

Áudios mostram quadrilha de SP aliciando criminosos do RJ

Por G1 Rio 28/11/2016 08h55

 

A maior facção criminosa de São Paulo, o PCC, está aliciando criminosos do Rio de Janeiro há pelo menos 8 meses, de acordo com investigação da Polícia Civil fluminense, e oferecendo vantagens para convencê-los. As conversas por telefone foram gravadas com autorização da Justiça.

A quadrilha pretende ser a única fornecedora de drogas no Estado do Rio e já teria 80 aliados no Rio. Os diálogos, como mostrou o Bom Dia Rio desta segunda-feira (28), mais parecem entrevistas de emprego.

"O comando vai mandar mercadoria para você fiado. Você vai ter 15 dias para pagar. Se você precisar de uma arma, de alguma coisa, você pode pedir emprestada pro comando pra você ir pra um corre, fazer um assalto", diz o aliciador.

Os aliciadores, segundo a investigação, já estão presos e faziam as ligações da penitenciária. A pena deles pode ser aumentada em mais de 10 anos. "Nós também faz [sic] uma rifa que concorre a carro, concorre a moto, tudo feito pela Loteria Federal", promete ele em outro trecho.

Em troca de uma mensalidade, a facção oferece todo tipo de ajuda — de armas a rifa, passando por mordomias em penitenciárias e até o apoio de advogados. A facção oferece ainda proteção em quatro países e em outros Estados.

"Esses 400 reais é [sic] revertido em ajudar todos os seus irmão que tá [sic] preso no sistema carcerário. Que é pra pagar advogado, que é pra pagar tudo", afirma o aliciador.

Para retirar os criminosos das outras facções, a quadrilha de São Paulo optou por expandir seus negócios de uma forma diferente: em vez de eliminar rivais através do confronto, tira apoio e território dos adversários.

De acordo com o delegado Antenor Lopes Júnior, responsável pela investigação, a quadrilha é mais organizada "no entanto, seus criminosos são tão perversos quanto os do Rio de Janeiro". Os desertores são tratados com crueldade: considerados traidores, pagam com a própria vida.

Os benefícios se estenderiam até mesmo durante o período em que o aliado estivesse preso.

"Tem dois pão [sic] com cafezão com leite de manhã. Aqui vem aqui um bife feito à tarde. Aí de noite vem um frango frito. No outro dia vem outra mistura diferente, nunca repete mistura", diz o aliciador.

Veja abaixo trechos da conversa entre aliciador e aliciado: 

- Você aceitou entrar de coração, Oscar?

- De coração, de coração, com certeza.

- Você leu o estatuto aí do primeiro ao décimo-oitavo item? Você teve entendimento total, irmão?

- Tive entendimento sim, com certeza.

- Eu vou pegar seus dados, seu nome completo. Eu tenho o maior prazer de ser seu padrinho também. 

 

Fonte: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/audios-mostram-quadrilha-de-sp-aliciando-criminosos-do-rj.ghtml

Vice de conselho de direitos humanos é preso sob suspeita de elo com PCC

22/11/2016  09h41 - Atualizado às 12h00

 

Ao menos 32 pessoas foram detidas na manhã desta terça-feira (22)

durante uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público de São

Paulo. Elas são suspeitas de terem ligação com a facção criminosa PCC

(Primeiro Comando da Capital).

 

Entre os presos está o vice-presidente do Conselho Estadual de Defesa

dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Luiz Carlos dos Santos,

em Cotia (Grande SP).

 

Segundo a investigação, Santos fazia "falsas denúncias"

perante organismos de proteção dos direitos humanos com o

objetivo de "desestabilizar a segurança pública do Estado".

Ele teria recebido do PCC cerca de R$ 130 mil com essa

finalidade.

 

Ao menos 32 pessoas foram detidas na manhã desta terça-feira (22)

durante uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público de São

Paulo. Elas são suspeitas de terem ligação com a facção criminosa PCC

(Primeiro Comando da Capital).

 

Entre os presos está o vice-presidente do Conselho Estadual de Defesa

dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Luiz Carlos dos Santos,

em Cotia (Grande SP).

 

Segundo a investigação, Santos fazia "falsas denúncias"

perante organismos de proteção dos direitos humanos com o

objetivo de "desestabilizar a segurança pública do Estado".

Ele teria recebido do PCC cerca de R$ 130 mil com essa

finalidade.

 

[...]

 

CONDEPE

 

Criado em 1993, o Condepe está previsto na Constituição Estadual de

SP de 1989. No artigo 110, o texto diz que o conselho tem como

finalidade "investigar as violações de direitos humanos no território

do Estado, de encaminhar as denúncias a quem de direito e de propor

soluções gerais a esses problemas".

 

O Condepe tem como prerrogativas acessar unidades prisionais,

requisitar informações, documentos ou processos de órgãos públicos

estaduais e propor sindicâncias e inquéritos para apuração de

violações de direitos, entre outras.

 

O vice-presidente da ONG Conectas Direitos Humanos, Marcos Fuchs,

disse considerar a prisão de Santos uma "ameaça" ao setor. "Não é

saudável para a nossa causa. Não é saudável para quem defende

direitos humanos, para todas as entidades e para todas as

organizações", afirmou.

 

"O Condepe é um órgão seríssimo, que tem esse papel, esse condão na

defesa de direitos humanos, de receber denúncias, de apurar

denúncias, de fazer inspeções e fazer visitas no sistema prisional como

uma das suas prerrogativas", disse Fuchs. "Precisamos ter muita

cautela", ressalvou.

 

Até a publicação desta reportagem, a Folha não havia

conseguido contato com a defesa de Santos.

 

 

Disponível na íntegra na fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/11/1834371-policia-prende-ao-menos-32-advogados-ligados-ao-crime-organizado-em-sp.shtml 

Traficantes vigiam delegacia e ameaçam moradores de bairro de Salvador

Do UOL, em Salvador

 

A cena tornou-se rotineira. Um morador entra na delegacia do bairro Nordeste de Amaralina e pede, com medo, para que seja cancelada uma queixa registrada poucas horas antes. Os policiais têm uma suspeita: seriam ordens de uma facção criminosa que comanda o tráfico de drogas no bairro de Salvador.

Segundo relatos de policiais que atuam no bairro e também de moradores ouvidos pela reportagem na condição de não ter seus nomes revelados, os traficantes sabem quem entra e quem sai, quem foi preso e quem foi solto, e os momentos em que esses fatos aconteceram na 28ª Delegacia Territorial da capital baiana.

"Há casos em que as pessoas chegam aqui pedindo para cancelar o boletim de ocorrência, ou ainda há aquelas que pedem que nós não façamos a entrega das intimações em suas casas, pois os traficantes vão questioná-las e dizer que não querem a presença de policiais em determinadas áreas do bairro", afirma a delegada titular do DP, Francineide Moura.

O Sindipoc (Sindicato dos Policiais Civis da Bahia) informa que pediu ao comando da Segurança Pública do Estado que a delegacia fosse transferida para outro local. 

UOL enviou uma série de perguntas por e-mail à assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública Bahia sobre a situação da 28ª Delegacia Territorial. A resposta veio por meio de uma nota enviada pelo comando da Polícia Civil baiana, que limitou-se a dizer que "desconhece a existência de pedidos realizados pelo Sindipoc ou por policiais da delegacia para que a unidade seja instalada em outro endereço."

Pressão 

"Tem uma regra aqui: não pode ter matéria sobre o tráfico, não podemos falar com jornalistas", diz um homem, que reside no bairro há mais de 30 anos.A pressão dos criminosos é exercida mesmo quando a queixa registrada não tem relação com o tráfico, a exemplo de uma briga entre vizinhos. Pouco tempo depois do comparecimento ao distrito policial, a pessoa é questionada pelos criminosos, na porta de sua casa, sobre o motivo de sua presença na unidade. Por vezes, tem que apresentar a cópia do boletim de ocorrência para provar que está falando a verdade, segundo apurou a reportagem. 

Câmeras

Sob sigilo, agentes afirmam que os traficantes monitoram o local por meio de telefones celulares e câmeras instaladas em residências localizadas no entorno da delegacia. A suspeita surgiu após algumas operações realizadas por policiais da região resultarem em fracasso: por exemplo, traficantes já sabiam que determinado ponto de venda de drogas sofreria uma batida policial. Ninguém era preso, nenhuma apreensão era feita.

"Nós também recebemos essa informação de que esse monitoramento é feito por câmeras instaladas nas residências que cercam a delegacia e estamos averiguando a situação", afirma o delegado Fábio Lordello, presidente do sindicato da categoria na Bahia. Antes de assumir o cargo, ele foi vice-diretor de combate ao crime organizado da Polícia Civil baiana.

De acordo com um delegado que já trabalhou no distrito, uma investigação foi realizada pelos próprios policiais da delegacia, mas, até o momento, nada foi provado sobre uso de câmeras instaladas na residência pelos traficantes.

Policiais contam um caso exemplar para justificar a desconfiança a respeito do uso de câmeras. 

No começo deste ano, três suspeitos foram presos no bairro em uma operação da Polícia Civil. Poucas horas depois das prisões, fotografias dos detidos saindo da delegacia em direção à Central de Flagrantes circulavam em celulares de moradores do bairro, inclusive em aparelhos encontrados, posteriormente, em posse de traficantes.

"O ângulo das fotografias mostrava que elas foram registradas a partir de umas casas que ficam em frente à delegacia", declarou um policial da delegacia.

Questionada sobre o assunto, a delegada titular Francineide Moura recusou-se a dar detalhes sobre essa investigação.

"Sabemos que eles usam pequenas câmeras instaladas nas ruas onde estão os pontos de vendas de drogas para prevenir a chegada de policiais", informa um delegado, que atua no combate ao narcotráfico da capital baiana.

Mudança

UOL esteve na 28ª DP no final do mês de outubro. Cercado por edificações residenciais e comerciais por todos os lados, o prédio apresenta uma estrutura deficitária. Aos domingos, a rua Reginaldo Martins é tomada por uma feira, o que impede que os carros policiais estacionem nas proximidades da delegacia.

"Nós fizemos uma inspeção na delegacia e constatamos não só a situação de insegurança em que vivem os agentes como também a estrutura precária da delegacia", afirma o investigador Marcos Maurício, presidente do Sindipoc (Sindicato dos Policiais Civis da Bahia).

O sindicalista diz que pediu pessoalmente ao delegado-geral da Polícia Civil da Bahia, Bernardino Brito, que o DP fosse transferido para outro endereço, mas disse que não obteve resposta.

A reportagem apurou que ao menos dois delegados titulares pediram ao comando da Polícia Civil que a delegacia do Nordeste de Amaralina mudasse de endereço. "O prédio é velho e sem estrutura", disse um deles.

Tráfico

Formado pelo bairro que lhe dá o nome e outras três comunidades -- Vale das Pedrinhas, Santa Cruz e Chapada do Rio Vermelho -- o chamado Complexo do Nordeste de Amaralina é uma das regiões centrais para o tráfico de drogas na capital baiana: está localizado próximo a um trecho da orla marítima da cidade e a bairros nobres, a exemplo de Pituba e Itaigara. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indicam que ao menos 87 mil pessoas moram na região.

Publicados em outubro no Diário Oficial do Estado, dados da SSP-BA (Secretaria da Segurança Pública da Bahia) informam que a localidade teve um aumento de 80% na taxa de homicídios quando se compara os seis primeiros meses de 2016 com o mesmo período do ano passado.

Na região, a taxa de mortes é de 17,1 por grupo de cem mil habitantes, índice acima do que é recomendado pelo OMS (Organização Mundial de Saúde): dez mortes por grupo de cem mil habitantes.

A localidade é caracterizada pela grande quantidade de vielas estreitas e altos pontos de observação, além de vários pontos de entrada, o que dificulta um cerco policial. Inspiradas nas UPPs cariocas (Unidades de Polícia Pacificadora do Rio de Janeiro), três bases comunitárias de seguranças da Polícia Militar da Bahia foram instaladas na região, a partir do ano de 2011, mas não conseguiram afastar o tráfico do local.

"Policiais militares e civis que estejam fora do bairro não podem entrar no bairro para dar reforço aos colegas que estejam em situação de tiroteio. São ordens de cima", revela um investigador da Polícia Civil. "Se a gente entrar em certas áreas daqui seremos recebidos a bala", afirmou um oficial da Polícia Militar.

O Comando da Paz é a facção criminosa que domina a região, mas está em constante confronto com outras facções soteropolitanas, como a Caveira, Catiara e o BDM (Bonde do Maluco), esta última a maior quadrilha do Estado, com ligações diretas com o PCC (Primeiro Comando da Capital), de São Paulo.

 

Fonte: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2016/11/22/traficantes-vigiam-delegacia-e-ameacam-moradores-de-bairro-de-salvador.htm