Segurança Pública

Crise e criminalidade

19 Dezembro 2016 | 03h01 

O desdobramento mais evidente da crise que assola a maioria dos governos estaduais é a diminuição dos investimentos em políticas de inteligência e em todo o aparato ostensivo de segurança, como viaturas, armamentos, infraestrutura para as delegacias e batalhões policiais

 

Das 27 unidades da Federação, 20 estão no vermelho, de acordo com os dados do Tesouro Nacional. Apenas no primeiro semestre deste ano, os 26 Estados e o Distrito Federal apresentaram um déficit de R$ 56 bilhões em suas contas. A crise que assola a maioria dos governos estaduais, resultado de uma combinação de recessão, incompetência e má-fé pura e simples, já seria perversa o bastante para a população se estivesse circunscrita ao campo econômico e ao que daí advém, como cortes de serviços públicos essenciais, redução de investimentos, queda da produção e da arrecadação, migração ou fechamento de empresas, aumento do desemprego, entre outros males. Mas os efeitos da crise vão além e tocam a mais sensível preocupação dos cidadãos brasileiros: a segurança pública.

O desdobramento mais evidente é a diminuição – ou até mesmo a interrupção – dos investimentos dos Estados em políticas de inteligência e em todo o aparato ostensivo de segurança, como viaturas, armamentos, infraestrutura para as delegacias e batalhões policiais, por exemplo. Em um corte mais profundo, a desvalorização da atividade policial despeja nas ruas das grandes cidades brasileiras, todos os dias, centenas de milhares de agentes mal preparados e mal remunerados, suscetíveis, portanto, a toda sorte de malogros no exercício da atividade policial, da corrupção endêmica aos chamados “bicos”, atividades exercidas nos dias de folga como forma de complemento de renda, e que os expõem a um risco de morte muito maior do que já seria razoável esperar dada a natureza da própria atividade que exercem.

De outro lado, a incapacidade dos Estados para investir em políticas públicas voltadas para a melhoria de vida das camadas mais vulneráveis da população apresenta relação direta com o aumento da criminalidade, notadamente os crimes contra o patrimônio, como roubos e furtos. Em recente entrevista concedida ao jornal O Globo, o sociólogo Júlio Jacobo Waiselfisz, coordenador de estudos sobre segurança pública da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais e autor do Mapa da Violência, afirmou que estudos comparativos entre ciclos econômicos e índices de violência indicam um aumento praticamente imediato dos crimes patrimoniais em períodos de recessão econômica. Em relação aos crimes contra a vida, como os homicídios, a relação não se evidencia de modo tão direto, embora possa ser considerada em uma análise mais detalhada e prolongada como um corolário dos crimes contra o patrimônio. Um relatório do Ipea publicado em 2010 também já apontava a relação direta entre a desigualdade de renda e o aumento da criminalidade. Segundo o estudo realizado pelo Instituto, o aumento de 1% na desigualdade de renda representou, em média, um incremento de 3% na taxa de homicídios em São Paulo e de 5% no Rio de Janeiro durante a década de 1990. São números bastante alarmantes.

Fato ainda mais grave é que as crises econômicas atingem duplamente a população jovem. Por um lado, afetam sua inserção no mercado de trabalho e, consequentemente, comprometem a crença desses jovens no futuro. Por outro, vulneráveis ao desemprego e sem perspectivas, tornam-se propensos a reagir com violência à agressão social que julgam sofrer. Envoltos por uma nuvem carregada de desesperança, passam a integrar um exército anônimo de criminosos de varejo, ora exercendo o papel de algozes da sociedade, que paira inerte sob o misto de medo e impotência, ora vítimas da própria guerra que fomentam. Em quaisquer dos casos, todos perdemos como Nação.

O enorme desafio que se impõe aos governos estaduais, precipuamente onde a segurança pública é mais vulnerável, como o Rio de Janeiro, vai além da adoção de ajustes que ponham as contas públicas de volta a patamares salutares de administração. É preciso pensar em modelos de controle e gestão que impeçam que os Estados alcem novos voos irresponsáveis no futuro que comprometam não só as finanças públicas, mas também o destino de novas gerações.

 

Fonte: http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,crise-e-criminalidade,10000095353 

Justiça manda mais 3 do PCC para cárcere duro

19 Dezembro 2016 | 03h00 
Atualizado 19 Dezembro 2016 | 07h58

Andinho e outros dois acusados de planejar atentados contra policiais e agentes foram transferidos para penitenciária de Presidente Bernardes

 

A Justiça de São Paulo determinou a internação imediata no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) do detento Wanderson Nilton Paula Lima, o Andinho, considerado um dos integrantes mais violentos e perigosos do Primeiro Comando da Capital (PCC). Os presos Hamilton Luiz Pereira, o Hidropônico, e Fabio de Oliveira Souza, o Fabinho Boy, também receberam a mesma punição. Todos são acusados de planejar o assassinato de agentes penitenciários e policiais. Eles já estão no Presídio de Segurança Máxima de Presidente Bernardes, o único que dispõe desse regime no Estado.

Os três estavam presos na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no Interior, que possui um regime mais rigoroso na vigilância dos detentos. Segundo promotores do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), isso não foi suficiente para impedi-los de planejar as ações criminosas juntamente com bandidos que estão nas ruas.

A investigação descobriu que, por meio de cartas codificadas, o trio havia dado a ordem para outros integrantes do PCC que estão soltos para fazer o levantamento dos endereços das casas de agentes penitenciários, policiais civis e militares de cidades como Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Presidente Bernardes, Araraquara, entre outras. As execuções deveriam parecer latrocínios (roubos seguido de morte) para não despertar suspeitas contra a facção criminosa.

Em junho, durante uma operação da Polícia Civil, os investigadores prenderam integrantes da organização durante uma reunião em Ribeirão Preto. Em dos computadores apreendidos pelos policiais, estavam pastas com fotos e mapas indicando a residência dos agentes públicos. A vigilância chegava a incluir a rotina de familiares, como mulheres e filhas.

Denúncia. O Gaeco denunciou Andinho, Hidropônico e Fabinho Boy à Justiça, na quinta-feira, dia 15, por crimes de organização criminosa armada, com penas previstas de até 12 anos de prisão.

Estado teve acesso à denúncia dos promotores. Em um dos trechos, é dito que “o plano de matar os agentes como se fosse latrocínio estava em pleno andamento, aguardando apenas o sinal verde dos denunciados, somente não ocorrendo em razão das prisões efetuadas na Comarca de Ribeirão Preto.” 

Além de receber a denúncia do Ministério Público, a Justiça determinou a internação dos presos no RDD. Neste regime, o detento fica trancado na cela por até 23 horas por dia, tem direito a uma hora de banho de sol isolado dos demais presos, visitas íntimas são proibidas e o contato físico com familiares é proibido. 

Segundo o Ministério Público, Andinho é apontado com um dos líderes da Sintonia Geral do Interior, parte da hierarquia da facção logo abaixo da Sintonia Final – a cúpula – e que administra a organização no interior. A ficha criminal de Andinho soma mais de 600 anos de pena por condenações por sequestros, homicídios e roubos no Estado. Ele também foi denunciado por envolvimento na morte do prefeito de Campinas Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, em 2001, mas a denúncia foi rejeitada.

PARA LEMBRAR 

Treze integrantes da cúpula do (PCC) foram transferidos para o RDD da Penitenciária de Presidente Bernardes, na semana passada, por ordem da Justiça. Entre eles, o chefe da facção, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. Todos são acusados de comandar um esquema que usava advogados e agentes do Estado para executar ordens, além de lavagem de dinheiro.

 

Fonte: http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,justica-manda-mais-3-do-pcc-para-carcere-duro,10000095344 

“O PM pisou na minha cara”, diz jovem acusada de carregar explosivos

Estudante foi detida na terça-feira (13) durante manifestação contra PEC dos gastos públicos na avenida Paulista, em São Paulo

 

Ao sair do Fórum Criminal da Barra Funda, no final da

tarde dessa quarta-feira (14/12), a estudante W., 22

anos, abraçou a mãe e os companheiros de militância

anarquista que esperavam por ela na saída. Enquanto

conversava com os amigos, ia mostrando os

hematomas que carregava nos braços e no rosto,

adquiridos ao ser presa pela PM na noite de terça-

feira (13/12), na Avenida Paulista, durante um

protesto contra a Proposta de Emenda Constitucional

(PEC) 55, que congela os gastos públicos por 20 anos.

 

A Polícia Militar afirma que apreendeu uma bolsa contendo

três rojões e cinco explosivos que teria sido dispensada por W.

A jovem afirma que segurou essa bolsa a pedido de outro

participante do protesto, que ela não conhecia. Nessa quarta-

feira, a audiência de custódia decidiu que a estudante poderá

responder em liberdade pelo crime de porte de material

explosivo. Se for condenada, pode pegar até seis anos de

prisão.

 

Sobre as agressões cometidas contra a jovem, os

policiais responsáveis pela prisão afirmaram, no

Boletim de Ocorrência, que foi “necessário o emprego

de força física” porque  “a indiciada se debatia e estava

exaltada e ofendia os policiais”.

 

W. foi presa durante um protesto realizado por grupos

antifascistas, que chegou à avenida Paulista após a saída de

outra manifestação, também contra a PEC 55, realizada pela

Frente Povo Sem Medo, que havia atacado a fachada da Fiesp

(Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

 

O protesto dos antifascistas, bem mais comportado do que

o do Povo Sem Medo, atraiu uma quantidade muito maior de

policiais e seguiu pacificamente até o final, por volta das 22

horas, quando alguns militantes jogaram latas de lixo na rua e

a PM resolveu dispersar o grupo com bombas de gás e efeito

moral.

 

Foi nesse momento que um policial da Rocam (Ronda

Ostensiva com Apoio de Motocicleta) atropelou W. com

a moto e caiu no chão junto com ela. Em seguida, um

grupo de policiais cercou a estudante e a dominou

pisando sobre ela. Além da bolsa que a PM afirma ter

apreendido com W., os policiais também apreenderam

uma sacola contendo garrafas com combustível – esta,

segundo o B.O., “não foi possível identificar quem teria

dispensado”.

 

Junto com W., a polícia também prendeu uma jovem de 21

anos, acusada de xingar os policiais. Levada ao 78º DP (Jardins)

junto com W., ela foi indiciada por desacato e liberada em

seguida.

 

W. deu sua versão da história para a Ponte Jornalismo. Ela

pediu para não ter seu nome revelado.

 

Ponte – Por que você foi ao protesto terça-feira na

Paulista?

 

W – Nesse dia foi aprovada a PEC 55, antiga

241 [proposta de emenda à Constituição que congela os gastos

públicos por 20 anos]. Além de ser uma cidadã, eu

trabalho na área de saúde. Faço estágio na Santa

Casa. Eu vivencio na pele cotidianamente a falta de

coisas básicas, desde sabonete a luva, medicamento.

Isso é extremamente grave. As pessoas morrem por

conta disso. Me dói muito pensar que eu não possa

fazer nada. Havia sido marcado esse protesto e,

mesmo tendo curso à noite, eu falei: isso é

importante, eu vou.

 

Que grupos participavam dos protestos em que você foi?

 

W – Majoritariamente anarquistas e libertários.

 

Você se define como?

 

W – Eu sou anarquista. Acho que conseguimos nos

organizar e pensar em novas formas de conseguir um

lidar com o outro e fazer o que for necessário, sem

precisar de nenhuma organização representando. Sou

independente. Eu fui sozinha ao protesto com minha

bandeira. Eu tenho uma bandeira anarcofeminista,

rosa e preta. Acabei encontrando o ato na Consolação.

Estava bonito, as pessoas bem fervorosas, bem

convictas do que estavam fazendo. Depois entramos

na Paulista. A polícia ficou cercando, mas a gente

seguiu sem grandes problemas. É interessante ver o

quanto tem de policiais nessas manifestações de

caráter mais libertário. Parecia mais um protesto de

policiais. Chegamos à Brigadeiro e decidimos dispersar.

 

E o que aconteceu depois?

 

W – Pensei que havia acabado o ato e fui comprar uma cerveja

num mercadinho Extra da Brigadeiro. Quando saio, percebo

que tem uma grande movimentação ocorrendo. Mas eu já saí

do ato, estou tranquila, não devo nada, o que pode acontecer

de pior? Quando eu volto para a Paulista, passa um rapaz que

eu nem sei quem é, me entrega uma bolsa e fala “segura essa

bolsa”.

 

Você aceitou segurar uma bolsa de um desconhecido?

 

W – Sim. Eu já tinha visto a pessoa. Não pensei que

poderia ter muita coisa ali de perigoso. Estava num

ritmo de “acabou o ato”, bebendo uma breja, não

pensei que pudesse ser nada demais. Por ser alguém

que eu imaginava que estava lá pelo ato, achei que

fosse confiável de alguma maneira. Não passou muito

tempo, eu continuei andando. Ali pela Paulista, depois

da Gazeta, veio uma moto da Rocam literalmente na

minha direção. Ela me atropelou e nós dois caímos no

chão. Chega um monte de Rocam, todo mundo me

cerca, nisso eu já sou imobilizada, eles começam a me

bater. O cara pisa na minha cara enquanto chega um

monte de gente lá.

 

Esse hematoma no seu rosto foi disso?

 

W – Foi. Foi do policial pisando na minha cara. Na

parte de trás da minha nuca, está bem inchado porque

ele pisou aqui e meu rosto ralou no solo. Chegou uma

policial feminina, ela me algemou bem forte, tanto que

estou com marcas nos braços até agora. Ela falou “a

fascista chegou”. Tinha um monte de policial em volta,

minha cara estava no chão, eu estava gritando de dor.

Para que tanta violência se eu estava imobilizada? Aí

eles me colocam na viatura. É quando eu começo a

gritar que preciso da minha bombinha de asma. Eu

disse que estava na minha bolsa. Aí eles me trouxeram

uma outra bolsa, preta. Isso é o mais peculiar. Eu

peguei e falei: “essa não é a minha bolsa”. Eles

disseram que era, que tinha sido arrecadada junto [o

boletim de ocorrência não relacionou esse item a W. , mas a

“alguém que acompanhava a indiciada durante a manifestação”].

Aí me encaminharam para o 78º DP, eu e mais uma

menina que estava no protesto. No caminho, os caras

faziam gestos com as mãos: “se fodeu, se fodeu”. Fui

separada da outra menina e aí percebi que não iria ser

solta como ela.

 

E como foi a audiência de custódia?

 

W – Foi mais tranquila do que eu imaginava. Minhas

expectativas para ter o alvará de soltura eram ínfimas, porque

fiquei sabendo aqui que estavam me acusando de levar

bombas.

 

Essas bombas estavam na bolsa que você segurou?

 

W – Isso, na bolsa bege. Eu tenho que parar de ser

trouxa. Que isso sirva de lição em relação a muita

coisa. Agora o processo está aberto e eu tenho que vir

uma vez por mês. Estou respondendo por porte de

explosivo, que é uma acusação bem séria.

 

Você já tinha sido presa?

 

W – Sim, em 2013. Naquela época, estava tendo uma

onda de protestos fervorosos no Rio, enquanto em São

Paulo tinha sido abafado. Estava rolando Ocupa

Cinelândia, que era um movimento múltiplo, com

anarquistas, comunistas, pessoas que estavam se

descobrindo ali no meio. No dia 15 de outubro de

2013, houve um protesto em favor dos professores.

Nesse protesto, fomos presos aleatoriamente e

forjados. Naquele ano, me acusaram de formação de

quadrilha, sendo que eu não conhecia nenhuma das

outras pessoas que estavam comigo, e corrupção de

menores.

 

E o que aconteceu com esse processo?

 

W – Foi arquivado em 2015. Enfim, eu sigo, a

perseguição segue e a tendência é piorar. A gente tem

que ter outras formas bem mais inteligentes de se

articular e fazer ações mais efetivas. Da maneira que

estamos fazendo, não está sendo eficaz. Ou a gente

muda a maneira de agir ou vai continuar sendo

forjado, preso, e passando por um monte de estresses

e torturas psicológicas e físicas, e isso não ajuda. Acho

que os movimentos sociais precisam se articular, tentar

diminuir certas diferenças, e construir algo novo. Eu

não sei como, mas a gente consegue. Eu tenho

esperança, muita esperança. 

 

 

Fonte: http://ponte.cartacapital.com.br/o-pm-pisou-na-minha-cara-diz-jovem-acusada-de-carregar-explosivos/ 

 

Polícia Civil investiga possível ameaça do PCC a torcidas organizadas de SP

Áudios que seriam de líderes de organizadas dizem que facção criminosa determinou fim das brigas. Torcedores se reuniram no dia 4 para homenagear vítimas da tragédia com o avião da Chapecoense

 

 

As principais torcidas organizadas dos quatro grandes clubes

de São Paulo – Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo –

procuraram a Polícia Civil na última terça-feira (6) para

anunciar que selaram um pacto de paz com o objetivo de

acabar com a violência no futebol. Os líderes das

uniformizadas disseram que já conversavam há três meses

sobre o acordo e que, após a tragédia com o avião da

Chapecoense, decidiram firmar a paz entre todos os que

frequentam as arquibancadas.

 

No entanto, a polícia investiga a hipótese de o acordo ter sido

selado após um “salve”, ou seja, uma determinação que surgiu

da Penitenciária de Presidente Venceslau, no interior de São

Paulo, onde está presa a cúpula da facção criminosa PCC

(Primeiro Comando da Capital). Desde a última segunda-feira

(5), quatro áudios de conversas que seriam entre integrantes

das torcidas circulam por grupos de WhatsApp, incluindo os

restritos a policiais. Os rapazes afirmam terem recebido

ameaças do crime organizado caso haja brigas e mortes entre

torcidas.

 

A Polícia Civil divulgou nesta quinta-feira (8) ter

aberto inquérito para apurar a veracidade dos áudios. Quem

vai investigar o caso é a delegada Margarete Barreto, da Drade

(Delegacia de Polícia de Repressão e Análise aos Delitos de

Intolerância Esportiva), subordinada ao DHPP (Departamento

de Homicídios e de Proteção à Pessoa).

 

Outra hipótese levantada pela polícia é que as organizadas

estejam aproveitando a onda de “fair play” para terem um voto

de confiança da sociedade e dos órgãos de segurança pública,

sem ligação alguma com o PCC.

 

Um investigador do DHPP, que pediu para não ser identificado,

confirmou à Ponte Jornalismo a veracidade dos áudios na

quarta-feira (7). “O PCC deu a ordem para acabar com as

brigas. O que a gente investiga é qual o interesse que a facção

tem com isso, ou seja, no que estaria interferindo as brigas

com o negócio do PCC”, disse. “A Polícia Civil identificou como

reais as conversas. Mas detalhes podem atrapalhar

investigações maiores”, complementou.

 

Confira o que dizem os áudios que seriam de quatro

representantes de torcidas organizadas:

 

“Quem deu o salve foi o maninho Marcola.

Acabou a briga, mano. Acabou a guerra de

torcida. Se tiver… Quem vai [morrer] é os

líderes (sic) aí, ó! Os caras da [Zona] Norte

tavam falando aí. Acabou, mano. E, se

matar, quem vai morrer é os líderes (sic)”.

 

“Tô vindo da subsede agora. Os caras

pediram uma reunião, né?! Esses bagulhos

de torcida aí… Segundo eles, se reuniram

com a ND lá, né, o Baby, o Batata, o Negão,

e receberam ordem do Marcola… De que

não é pra ter briga nenhuma de torcida.

Nem morte, nem briga, nem nada. (…) O

cara que brigar, vai apanhar; e o cara que

matar, vai morrer. É ordem do PCC,

entendeu? As quatro torcidas de São

Paulo. Interior… Onde for, não pode ter

briga, nem morte, nem nada. Ordem do

Marcola. O bicho vai pegar, hein?!”

 

“Acabou. Acabou, irmão. Pelo o que eu

fiquei sabendo aí, a ideia é quente. Acabou

as ideia (sic) de briga. Quem arrumar

confusão aí, vai azedar. É sério mesmo. Tô

sabendo aí. Tá todo mundo já falando essa

caminhada aí. Entendeu? Azedou o

molho”.

 

“O bagulho acabou as brigas, parceiro. É

nós que é a frente do barato (sic), devido a

[Zona] Norte aí, vai fazer a reunião. Isso

cabe para todas as quebradas. Não tô

brincando. É referente o comando. Pôs a

pedra em cima do bagulho, tá ligado?

(…) Se brigou na Zona Norte, vai berrar pra

nós que é liderança (sic). Certo? Matou um

moleque que é inimigo, nós vai morrer

também (sic), tio. Tá vendo esses bagulhos

no estádio, todo mundo junto? Quando eu

vi isso, eu pulei fora. Acabou. Não tem

mais briga, não vai ter. Quem tiver, segura

o bagulho. Infelizmente, aconteceu o que

não era pra acontecer. Se ver os inimigos,

se marcar, tem que ir pro jogo até junto,

que nem tá aí, ó. Eu mesmo, pra mim, não

posso ficar nessa fita, não, porque é o

seguinte: o barato é torcida uniformizada.

Já que acabou, acabou. Tô fora”.

 

De acordo com a diretora do DHPP, Elisabete Sato, os

presidentes das quatro grandes torcidas afirmaram querer o

fim da intolerância no futebol. Por isso, ofereceram um pacto,

com o slogan “mais festa, nenhuma violência”, para que eles

possam assistir aos clássicos este ano com as torcidas rivais no

estádio. Até a quarta-feira (7), ela não confirmava a veracidade

dos áudios dos supostos quatro torcedores.

 

Desde abril deste ano, os clássicos ocorridos em São Paulo

tiveram torcida única. A medida havia sido pedida pelo MP

(Ministério Público) à FPF (Federação Paulista de Futebol) e foi

anunciada com aval da Secretaria da Segurança Pública do

Estado de São Paulo após a morte de um torcedor em São

Miguel Paulista, na Zona Leste, depois de um jogo entre

Palmeiras e Corinthians válido pelo Campeonato Paulista de

2016.

 

No último sábado (4), as quatro torcidas dos clubes de

São Paulo se uniram em frente ao estádio do

Pacaembu em solidariedade às vítimas da tragédia que

matou 71 pessoas em um voo que levava a equipe da

Chapecoense a Medellín, na Colômbia.

 

 

Fonte: http://ponte.cartacapital.com.br/policia-civil-investiga-possivel-ameaca-do-pcc-a-

torcidas-organizadas-de-sp/ 

 

PCC Crime Incorporated tem novo organograma

Semelhante ao de uma empresa, novo modelo de gestão inclui assistência jurídica e funerária

 

facção criminosa PCC (Primeiro Comando da

Capital) promoveu uma reestruturação organizacional em

2016 e passou a contar com nove núcleos distintos para

administrar os interesses dos membros da organização.

 

Hoje, o grupo que age na maior parte dos presídios de São

Paulo e controla o tráfico de drogas no território paulista conta

até com uma “diretoria de relações institucionais” e

departamento de auditoria para fiscalizar os resultados de

ações criminosas como o tráfico, roubos, contrabando de

cigarros falsificados e com a venda e aluguel de armas, por

exemplo.

 

No topo da mais recente pirâmide administrativa do PCC

está o Conselho Deliberativo, formado por 12 presos da

Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (a 629 km da capital).

 

São membros do Conselho Deliberativo do PCC Marcos

Willians Herbas Camacho (Marcola), Antonio José Muller

Junior (Granada), Paulo César Souza Nascimento Júnior

(Paulinho Neblina), Paulo Pedro da Silva (PP), Paulo Felipe

Esteban Gonzalez (Paulinho Teco-Teco), Airton Ferreira Silva

(Tico-Preto), Wilber de Jesus Mercês (Ralf), Abel Pacheco de

Andrade (Vida Loka), Marcos Paulo Ferreira Lustosa

(Mandrova), Daniel Vinicius Canônico (Cego), Marcio

Domingos Ramos (Gaspar) e Eric Oliveira Farias (Eric Gordão).

 

Nomes como Rogério Jeremias de Simone (Gegê do

Mangue), Wanderson Nilton de Paula Lima (Andinho),

Fabiano Alves de Souza (Paca) e Edilson Borges Nogueira

(Birosca) não aparecem mais no Conselho Deliberativo.

 

 

[...]

 

Disponível na íntegra na fonte: http://ponte.cartacapital.com.br/pcc-crime-incorporated-tem-novo-organograma/