Segurança Pública

Doria promete 10 mil câmeras em SP e quer multa de R$ 50 mil por pichação de monumento

Por Will Soares, G1 São Paulo
01/02/2017 12h33 

Segundo prefeito, só neste ano devem ser instaladas 2,5 mil câmeras. Ele quer multa de R$ 5 mil para pichador de muro e mais R$ 10 mil para reincidente.

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), informou nesta quarta-feira (1º) que pretende instalar 10 mil câmeras de monitoramento na capital paulista e multar em R$ 50 mil quem pichar monumentos.
Doria irá à Câmara dos Vereadores ainda nesta quarta para debater a nova punição aos pichadores. Segundo ele, um projeto de lei que prevê a punição deve ser colocado em votação na Casa em breve.
"Os pichadores terão a multa de R$ 5 mil para cada muro, cada próprio privado ou público que for pichado. Se for um monumento, terão mais R$ 50 mil e, se for reincidente, 10 mil", explicou o prefeito.
O tucano afirmou também que a Prefeitura traça um "amplo programa de monitoramento eletrônico", que promete aumentar a segurança da população paulistana e apertar o cerco aos pichadores.
O programa não tem data para ser anunciado oficialmente, mas já foi discutido em quatro reuniões da Prefeitura e batizado inicialmente de "City Câmeras". A ideia, de acordo com Doria, é espalhar 10 mil novas câmeras pela cidade nos próximos quatro anos. "2,5 mil [câmeras] das quais serão implantadas ainda nesse ano, e cada ano vamos multiplicando, até chegar a 10 mil câmeras em áreas estratégicas da cidade", contou ele.
O prefeito disse que irá focar as instalações em monumentos e áreas públicas. "Nas escolas municipais e estaduais, os postos de saúde do município do estado e nas grandes vias e suas pontes", acrescentou.

A briga de Doria com pichadores começou depois que a Prefeitura decidiu apagar a maior parte dos grafites espalhados pela Avenida 23 de maio. O prefeito informou que permaneceria no local apenas oito murais que estão bem conservados. Desde então, vários muros da cidade foram pichados com críticas à medida tomada pela nova gestão.

No último dia 25, após um desenho com a caricatura de Doria pintando um muro de cinza ser sobreposto a um mural do artista Eduardo Kobra na 23 de Maio, o prefeito disse que os pichadores "não terão moleza". "Eu sou prefeito da cidade para defender a cidade e o interesse da cidade é sem pichação ", disse.
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/doria-promete-10-mil-cameras-em-sp-e-quer-multa-de-r-50-mil-por-pichacao-de-monumento.ghtml 

Em 23 anos, 3,2 mil PMs morreram de causas não naturais no Estado do Rio

Taxa de policiais mortos e feridos é quase o triplo de baixas de soldados dos EUA na Segunda Guerra Mundial

Fábio Grellet , 
O Estado de S. Paulo

31 Janeiro 2017 | 21h25 

De 1994 a 2016, 3.234 policiais militares do Estado do Rio morreram por causas não naturais, o que engloba baleados, mortos por acidente e qualquer outra razão não natural, durante o trabalho ou em folgas. Outros 14.452 PMs foram feridos. Somados, mortos e feridos representam 19,65% do total de 90 mil policiais que compõem a corporação. Essa proporção é quase o triplo das baixas registradas pela tropa de soldados dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial - naquela ocasião, o índice foi de 6,69%. Os dados foram divulgados durante evento promovido nesta terça-feira, 31, pela Polícia Militar.

O Fórum sobre a Vitimização Policial foi realizado na Academia da Polícia Militar, em Sulacap, na zona oeste do Rio, com o objetivo de analisar a situação dos policiais mortos e feridos em serviço ou de folga. Comandantes e diretores de unidades e integrantes do Quadro de Saúde apresentaram dados relativos às suas áreas para ajudar nesse debate. O dado sobre mortos e feridos durante os últimos 23 anos foi apresentado pelo coronel Fábio Cajueiro.

"O ideal seria que ninguém morresse ou fosse ferido. Esse seria o melhor cenário, mas a incidência de policiais vitimados é muito alta, e por isso nos reunimos hoje para discutir esta questão. Temos que discutir e analisar as causas das mortes de policiais e pensar em como diminuir esses números. Digo para vocês: esse talvez seja o maior pesadelo que eu enfrento na corporação. Se pudesse eu daria essa ordem: estão proibidos de morrer", disse o coronel Wolney Dias, comandante da Polícia Militar, na abertura do evento.

 

http://brasil.estadao.com.br/noticias/rio-de-janeiro,em-23-anos-3-2-mil-pms-morreram-de-causas-nao-naturais-no-estado-do-rio,70001648516 

Roubo de carga e estupro aumentam no Estado e na capital em 2016

Alexandre Hisayasu , 
O Estado de S.Paulo

24 Janeiro 2017 | 17h39

SÃO PAULO - O aumento considerável no roubo de carga tanto no Estado quanto na capital foi o "destaque negativo" na divulgação das estatísticas criminais de 2016 pela Secretaria de Segurança Pública. Estupro também apresentou alta considerável e os homicídios mantiveram a tendência de queda.

No Estado, a alta do roubo de carga foi de 17,11% de janeiro a dezembro de 2016 em relação ao mesmo período do ano anterior, com 9.943 casos registrados, contra 8.490 ocorrências em 2015. Na capital, a alta foi de 15,79%, com 5.866 casos registrados em 2016, e 5.066 no ano anterior.

De janeiro a dezembro de 2016, a capital registrou 2.299 estupros, alta de 10,16% em relação a 2015, que fechou com 2.087. No Estado, o crime aumentou 6,72% em 2016 em relação a 2015. Foram 9.888 casos contra 9.265.

No Estado, os homicídios fecharam 2016 com 3.571 casos contra 3.758, em 2015 - queda de 6,31%. O número é o menor da série histórica contabilizada há 16 anos. Na capital, também houve recorde de recuo nos números, foram 844 registros em 2016 contra 991, em 2015, com queda de 14,83%.

http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,roubo-de-carga-e-estupro-aumentam-no-estado-e-na-capital-em-2016,70001640102

Vítimas de bala perdida na Cidade Alta são enterradas

Jornal Floripa, 23/01/2017

 Entregador e eletricista foram mortos no último sábado durante troca de tiros entre traficantes rivais –

Rio – Em lágrimas, parentes e amigos se despediram do entregador Anísio Alves e do eletricista de João Paulo de Oliveira, ambos de 41 anos, que foram mortos por balas perdidas na Cidade Alta e enterrados nesta segunda-feira, em cemitérios diferentes.

“É muito difícil perder dois amigos de infância assim. Do nada. Um pai de família, com três filhos pequenos. O outro, a caminho do trabalho. Estou arrasado”, afirmou um amigo que foi aos dois enterros e pediu para não ser identificado, com medo de represálias do tráfico.

Os dois morreram durante troca de tiros entre traficantes rivais, pelo controle do tráfico na Cidade Alta, Zona Norte do Rio, no sábado.

A disputa entre os grupos já se estende por dois meses e os tiroteios são frequentes no local. Moradores postam vídeos da região, com a movimentação de traficantes em plena luz do dia. A Polícia Militar informou que realiza operações na Cidade Alta e que o Bope foi chamado assim que o tiroteio teve início.

Nesta segunda-feira, um homem morreu também vítima de bala perdida no Jacaré, quando criminosos tentaram alvejar policiais. Ele estava em um bar, almoçando na hora do confronto, quando foi atingido pelo disparo.

Fonte: odia

http://www.jornalfloripa.com.br/geral/vitimas-de-bala-perdida-na-cidade-alta-sao-enterradas/

Filosofia de segurança pública é a mesma 25 anos depois do massacre do Carandiru

20/01/2017

A atual grave crise do sistema penitenciário brasileiro, na verdade, não é uma crise. A realidade de massacre, morte e violência é inerente ao sistema. A afirmação de que há um colapso nesse sistema é “falaciosa”. A posição sobre o tema é da Pastoral Carcerária Nacional.

“Uma resposta fácil é dizer que as facções são responsáveis pela violência, mas esses grupos só surgem por conta do encarceramento em massa, que é a característica do sistema nos últimos 25 anos. O encarceramento em massa, os maus tratos, as torturas e as sevícias produziram esses grupos e suas ações. O sistema não está em crise, está operando como sempre operou. Essas mortes estão tendo essa ampla cobertura da mídia com seus números exorbitantes, mas as mortes acontecem todos os dias”, diz Marcelo Naves, assessor da Pastoral.

O deputado federal Chico Alencar (Psol-RJ) destaca um aspecto que considera grave, revelado por uma simples leitura de comentários em redes sociais. “A política no Brasil já há muito tempo é a negação de uma política de ressocialização e recuperação das pessoas. É a política do extermínio dos encarcerados. Mas, pior, conta com respaldo de parte da opinião pública. E é uma opinião talvez majoritária.”

Na mesma linha, ao comentar o papel do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, no atual processo, Naves diz que a proposta de segurança pública do titular da pasta não tem possibilidade de conter a violência. “A proposta política do governo é menos do que um paliativo, ela tenta resolver o problema usando o mesmo problema. Mas numa sociedade punitiva como a nossa, talvez ele esteja respondendo a uma parcela da sociedade. No nosso ponto de vista, a resposta que ele está dando vai produzir mais e mais violência e violação de direitos.”

“Se estivéssemos num país desenvolvido culturalmente, ele (Alexandre de Moraes) não seria ministro da Justiça. É um homem de concepções reacionárias, retrógradas, e acha que tudo se resolve na truculência. Não tem concepção de segurança pública minimamente contemporânea”, acrescenta o deputado do Rio.

Os números corroboram a posição da Pastoral de que o problema é estrutural ao longo das últimas décadas. Segundo dados do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça, em 1990 os presos no sistema carcerário brasileiro eram 90 mil. Em 2014, o número saltou para 622 mil, com um enorme crescimento de 575%. Mas a expansão continua. Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em janeiro de 2017 já são entre 640 mil a 650 mil os presos em regime fechado. Naves lembra que 25 anos depois do massacre do Carandiru, a filosofia de segurança pública continua a mesma.

Trazendo os números para um período mais recente, é possível constatar que o Brasil está no caminho inverso do de outros países. Entre 2008 e 2014, o país aumentou em 33% a população carcerária. No mesmo período, Estados Unidos (8%), China (9%) e Rússia (24%), países com números absolutos superiores ao Brasil em população carcerária, vêm diminuindo o número de presos.

Guerra às drogas

A principal responsável por essa situação é a atual política de drogas, regulada pela Lei 11.343/2006, “extremamente encarceradora”, como diz Naves.

A Pastoral defende o fim da chamada Guerra às drogas e a descriminalização do uso e comércio das chamadas drogas ilícitas. “Essa lei foi combustível do encarceramento da população jovem, a maioria negra, que trabalha no pequeno varejo.”

A guerra às drogas também é a principal causa do grande crescimento do número de mulheres presas. Em 2000, eram 5.601, e em 2014 elas eram 37.380, um aumento no Brasil de 567%. Se em termos absolutos o número parece pequeno, o crescimento é muito significativo, observa Marcelo Naves, assim como a causa dessa expansão.

“De 2006 para cá houve um boom ligado à lei de drogas: isso se deve às mulheres que têm no comércio de drogas o recurso pelo fato de o companheiro ter sido preso ou morto, como uma questão de renda.” Segundo Naves, no estado de São Paulo, 70% das mulheres presas estão nessa situação por crimes ligados a drogas. A maioria são rés primárias.

Na opinião de Marcelo Naves, a questão sobre se a crise dos presídios pode “transbordar” os muros das prisões e se alastrar pelas ruas é uma falsa questão. “Na verdade, já transbordou, porque é uma situação que está para além da segurança pública, do debate da questão penitenciária. Está ligada ao projeto de sociedade e ao nosso sistema político e econômico, que produz pessoas excluídas que ficam à margem da sociedade, e precisa eleger seus inimigos entre as camadas pobres e violentadas pelo processo histórico e de colonização pela expansão do capitalismo no Brasil”, diz o assessor da Pastoral.

Chico Alencar lembra que numa sociedade civilizada, o Estado deveria ter a responsabilidade máxima sobre a vida dessas pessoas. “Só que com a política que desenvolve, ele se ‘desresponsabiliza’. As pessoas se desumanizam a ponto de se trucidar, e o Estado não se incomoda. A não ser que tivesse algum preso da Lava Jato lá, aí ia ser um escândalo”, ironiza o parlamentar. “Mas os anônimos são considerados não-pessoas. E o senso comum diz que ‘são bandidos e têm que morrer’.” 

 

Fonte: http://carceraria.org.br/filosofia-de-seguranca-publica-e-a-mesma-25-anos-depois-do-massacre-do-carandiru.html