Segurança Pública

Mesmo com tropa na rua, tensão segue no ES e greve de PM deve chegar ao Rio

Moradores revoltados com a falta de patrulhamento nas ruas entraram em confronto com manifestantes que bloqueiam quartéis em Vitória; Exército está de prontidão.

Marcio Dolzan

O Estado de S. Paulo

11 Fevereiro 2017 | 17h37

VITÓRIA e RIO - O reforço da Força Nacional de Segurança e de tropas militares não estancou a sensação de insegurança no Espírito Santo. O número de mortes desde sábado subiu para 75 no quarto dia de greve da Polícia Militar. O clima de tensão dividiu a população: moradores revoltados com a paralisação e parentes de PMs entraram em confronto na frente do Quartel Central. O movimento grevista encontrou eco no Rio. Famílias de policiais programam iniciar movimento semelhante nesta semana.

Apesar da redução no número de homicídios – foram 3 casos ontem, igual à média diária registrada no primeiro semestre de 2016 –, a insegurança se mantém em Vitória e revoltou um grupo de moradores. Pneus foram queimados na Avenida Maruípe, na frente do Quartel Central, onde parentes de PMs fazem piquete desde o início do movimento grevista – impedindo saída de agentes. Os grupos se enfrentaram e soldados do Exército usaram spray de pimenta para contornar a situação. Pelo menos 30 PMs fardados, no batalhão, assistiram à confusão de braços cruzados.

Priscila Nascimento de Almeida, de 27 anos, namorada de um PM, foi atingida por uma pedra na cabeça enquanto circulava em meio ao grupo. “Eles pensam que a culpa pelo que está acontecendo é nossa, mas a culpa é do governador”, afirmou.

Já o secretário de Segurança Pública do Espírito Santo, André Garcia, classificou como “chantagem” o movimento e prometeu punição. Segundo ele, os piquetes de mulheres “não passam de teatrinho”.

Quem se queixou da situação foi Wanderson Celestino, de 36 anos, trabalhador informal em um lava-jato na periferia. Desde sábado, está sem serviço. “Preciso trabalhar, senão não tenho como pagar meu aluguel.”

João Paulo Rocha, de 20 anos, teve seu automóvel Gol roubado em Vila Velha no último domingo. Ele estava com a namorada quando foi abordado por dois homens em uma moto. Segundo ele, a chegada dos agentes do Exército e da Força Nacional de Segurança melhorou a situação apenas nos bairros nobres. “As pessoas estão circulando só de carro, não se vê ninguém caminhando pelas ruas.”

Rio. O movimento no Espírito Santo pode provocar reflexo no Rio. Frustrados com a crise financeira do Estado, com salários atrasados e sem receber o décimo terceiro, policiais e suas famílias passaram a mobilizar-se para entrar em greve na sexta-feira. O plano é seguir para a porta dos batalhões às 5h30.

Tropas do Exército já estão se mobilizando para o caso de a Polícia Militar fluminense entrar em greve. Embora o Comando Militar do Leste afirme que há apenas “planejamento” até o momento, fontes confirmaram ao Estado que homens da Brigada Paraquedista estão se apresentando no quartel, para ficarem de prontidão, em caso de necessidade.

“Nosso objetivo é acampar na frente dos quartéis. Estamos nos organizando para fazer revezamento”, afirmou uma das organizadoras, que se identificou como Ana. Segundo ela, a adesão será grande dentro dos quartéis. “Eles não podem fazer greve, mas estão revoltados pela forma como os servidores estão sendo tratados pelo governo. E os policiais não vão aceitar que o Batalhão de Choque agrida as famílias como tem agredido os servidores. Não vai ter covardia”, afirmou.

A polícia fluminense, no entanto, não tem histórico de paralisação. “O setor de inteligência está monitorando essa mobilização, mas não temos como medir a adesão. Estamos atentos e continuaremos trabalhando”, afirmou o major Ivan Blaz, porta-voz da Polícia Militar.

A mobilização das famílias de PMs provocou uma onda de boatos nas redes sociais. Um ofício falso do comandante da PM, Wolney Dias, autorizando a greve, chegou a repercutir. O perfil da Polícia Militar no Facebook desmentiu os boatos e fez um apelo à tropa. “A nossa falta causaria males incalculáveis e irreparáveis. Paralisar um serviço essencial afeta toda a população, incluindo nossas famílias. A quem interessa a barbárie?”

ENTENDA A CRISE NO ESPÍRITO SANTO

Familiares e amigos de policiais militares no Espírito Santo começaram, na noite de sexta-feira, 3, a fazer manifestações impedindo a saída das viaturas para as ruas e afetando a segurança dos municípios.  Sem reajuste há quatro anos, os PMs reivindicam aumento salarial e melhores condições de trabalho.

O motim dos policiais levou a uma onda de homicídios e ataques a lojas. Com medo, a população passou a evitar sair de casa e donos de estabelecimentos fecharam as portas. Os capixabas já estocam comida

Na segunda-feira, 6, a prefeitura de Vitória suspendeu o funcionamento das escolas municipais e de  unidades de saúde. 

Também na segunda, o governo federal autorizou o envio da Força Nacional e das Forças Armadas para reforçar o policiamento nas ruas de cidades do Espírito Santo. Apesar do reforço, o clima de tensão se manteve no Estado. 

A morte de um policial civil na noite de terça-feira, 7, motivou uma paralisação da categoria na quarta, agravando ainda mais a crise de segurança no Espírito Santo. 

Após o fracasso nas negociações com policiais militares do Espírito Santo, o governo capixaba decidiu endurecer com os PMs e com as mulheres líderes do motim. No total, 703 policiais militares já foram indiciados por crime de revolta.

 

http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,grupo-de-pms-comeca-a-voltar-as-ruas-de-vitoria,70001662255

Após quase 11h, reunião entre governo do ES e famílias de PMs termina sem acordo

Paula Bianchi

Do UOL, em Vitória

09/02/201721h56 Atualizada 10/02/201704h09 

Após quase 11 horas de negociação, a reunião entre representantes do governo do Espírito Santo e dos policiais militares e seus familiares terminou na madrugada desta sexta-feira (10) sem um acordo.

O encontro, que teve início por volta das 14h30, poderia encerrar a paralisação dos policiais militares que desde sábado (4) deixou em suspenso a rotina dos capixabas. Mas não houve um consenso, e as mulheres dos policiais deixaram o Palácio da Fonte Grande cantando o Hino Nacional - algumas delas chorando - e dizendo que o movimento continua.

"Nós apresentamos uma proposta de 43% e um pedido de anistia total para todos. Os secretários do governo disseram que não teriam como garantir a anistia nem o reajuste", disse uma integrante do grupo.

Pouco antes da meia-noite, duas mulheres já haviam deixado o prédio dizendo que a reunião estava tensa, com a comissão de negociação pressionando a todo momento pelo encerramento do movimento. 

Perto das 2h da madrugada, o secretário de Direitos Humanos, Júlio Pompeu, disse aos jornalistas que não será dado aumento imediato para a categoria nem anistia e que uma contraproposta do governo foi apresentada ao grupo com validade até as 6h desta sexta, sob pena de que policiais e familiares venham a sofrer "consequências" pela paralisação.

"Vamos seguir, daqui para a frente, todos os trâmites legais, todos os procedimentos necessários ao restabelecimento da lei, da ordem e da segurança. Qual será o procedimento? Cada momento vai dizer o que é necessário ser feito. E isso cabe às forças de segurança", alertou.

Segundo Pompeu, o Estado está no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal, sendo acionado pelo Tribunal de Contas com frequência. "Isso nos impede legalmente de dar qualquer aumento a qualquer categoria funcional do Estado do Espírito Santo. É uma barreira legal", afirmou.

Sobre a anistia aos policiais, o secretário disse que o Estado nada pode fazer por tratar-se de uma decisão que cabe apenas ao governo federal. "Mas nos comprometemos a apurar responsabilidades individuais sem caça às bruxas", prometeu.

Em sua contraproposta, registrada em ata, o governo propõe:

- apresentar cronograma de promoção na carreira de policiais que estejam previstas em lei e ainda não tenham sido efetivadas;
- formar uma comissão para avaliar a carga horária de trabalho dos policiais militares, apresentando estudo a respeito no prazo de 60 dias;
- encaminhar à assembleia legislativa, dentro de 90 dias, proposta para que o bacharelado em direito se torne obrigatório para o ingresso na corporação;
- dar prosseguimento às negociações ao final do primeiro quadrimestre de 2017, quando forem apurados os resultados fiscais da gestão no período;
- desistir da ação contra as associações de classe (que prevê pagamento de multa por dia parado).

Ao ser questionado sobre a decisão do grupo de mulheres, manifestada ao fim da reunião, de continuar o movimento, o secretário disse que o governo espera agora uma posição de bom senso por parte dos policiais. "As mulheres não são policiais militares. Os servidores, os que estão amotinados, aqueles que têm responsabilidade para com o povo capixaba, são os homens e as mulheres de farda que estão nos quartéis. É a eles que me dirijo. São eles que estão transigindo o código penal."

As lideranças sentaram para conversar pela primeira vez com o governo na noite da quarta-feira (8). Na ocasião, o governador licenciado, Paulo Hartung (PMDB), chegou a comparar o movimento a um "sequestro" e afirmou que os policiais estão chantageando o governo. "O que está acontecendo no Espírito Santo é uma chantagem. É a mesma coisa que sequestrar a liberdade do cidadão capixaba e pagar resgate", disse o governador, que se licenciou do cargo no último dia 5 para se recuperar de uma cirurgia feita em um hospital paulista. Ele retirou um tumor da bexiga no dia 3, véspera do início da greve.

A fala de Hartung fazia referência a um pedido inicial de aumento salarial feito pelos policiais capixabas de cerca de 43%. Posteriormente, o grupo reavaliou a reivindicação, informando que proporia um aumento de 100%.

Situação no Estado

De acordo com o Sindicato dos Policiais Civis, 110 pessoas foram assassinadas desde o início da paralisação. Escolas, comércio, bancos e postos de saúde permanecem fechados desde segunda e o transporte público foi suspenso por tempo indeterminado depois que um rodoviário foi morto a tiros e homens armados ameaçaram incendiar dois coletivos na manhã desta quinta.

Apesar da presença do Exército e da Força Nacional, foram poucas as pessoas que se animaram a sair na rua nesta quinta. Durante todo o dia, comboios de militares patrulharam a cidade e no fim do dia blindados pilotados por fuzileiros navais circularam por Vitória e pela capital capixaba.

Pela manhã, cerca de 30 mulheres permaneciam em frente ao principal quartel onde estão os PMs em Vitória. Cada entrada conta com uma barraca grande, com colchões e cobertores, e um toldo. Há café, leite, pão, biscoitos, frutas, frios e até uma sanduicheira.

Em outros quartéis pela cidade há acampamentos parecidos, com familiares de PMs e policiais de folga posicionados em frente aos portões.

Entenda a crise no Espírito Santo

No sábado (4), parentes de policiais militares do Espírito Santo montaram acampamento em frente a batalhões da corporação em todo o Estado. Eles reivindicam melhores salários e condições de trabalho para os profissionais.

Desde segunda-feira (6), o movimento é considerado ilegal pela Justiça do Espírito Santo porque ele caracteriza uma tentativa de greve, o que é proibido pela Constituição. As associações que representam os policiais deverão pagar multa de R$ 100 mil por dia pelo descumprimento da lei.

A ACS-ES (Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar do Espírito Santo) afirma não ter relação com o movimento. Segundo a associação, os policiais capixabas estão há sete anos sem aumento real, e há três anos não se repõe no salário a perda pela inflação.

A SESP (Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social) contesta as informações passadas pela associação. Segundo a pasta, o governo do Espírito Santo concedeu um reajuste de 38,85% nos últimos 7 anos a todos os militares e a folha de pagamento da corporação teve um acréscimo de 46% nos últimos 5 anos.

Na noite de quarta-feira (8), integrantes do governo reuniram-se com representantes do movimento de familiares, que apresentou uma pauta de reivindicações --anistia geral para todos os policiais e 100% de aumento para toda a categoria-- e uma nova reunião, com a presença do governador César Calnago (PSDB), foi marcada para esta quinta-feira.

Em função da morte de um agente, os policiais civis também paralisaram os seus serviços na quarta. Eles devem decidir se entrarão em greve hoje, em assembleia conjunta com os agentes penitenciários.

Os ônibus também não circulam regularmente na Grande Vitória desde o início desta semana. Nesta quinta, a categoria decidiu que não voltará ao trabalho enquanto a polícia não retornar as ruas. A decisão aconteceu após o assassinato do presidente do Sindirodoviários (Sindicato dos Rodoviários) de Guarapari (ES).

Famílias fazem bloqueio em batalhões, mas policiamento segue nas ruas no RJ

Ronald Lincoln Jr., Pedro Ivo Almeida e Vinicius Castro

Colaboração para o UOL, no Rio*

10/02/201705h57 Atualizada 10/02/201711h26 

As manifestações de familiares de policiais militares na frente dos batalhões no Rio de Janeiro acontecem em dezenas de unidades pelo Estado, mas o bloqueio da saída dos PMs, tal qual havia sido anunciado ao longo da semana, ocorre efetivamente em poucos locais.

Um dos batalhões com a situação mais complicada da capital fluminense é o da Tijuca, na zona norte. Lá, familiares se mobilizam desde a 0h e não permitem que os policiais deixem a unidade desde as 6h. Alguns policiais que tentaram sair à paisana chegaram a ser revistados para que não saíssem com a farda na mochila no início do bloqueio, mas pouco tempo depois a saída foi proibida.

Com cartazes em mãos, elas reivindicam melhores salários e condições de trabalho para os agentes, cobram o 13° pagamento de 2016 e gratificações atrasadas. Reclamam ainda da estrutura da corporação que, segundo elas, põe em risco a vida dos policiais.

 

Muitos soldados que chegam ao batalhão agradecem o apoio das mulheres. Moradores da vizinhança, inclusive, oferecem água e café.

Vitória Nery, uma das manifestantes, perdeu o marido, morto durante em uma troca de tiros com traficantes em março de 2016. Ele era lotado no 6° batalhão, e deixou também uma filha de 8 anos do casal. O pai e o irmão de Vitória são PMs da ativa e ela teme por eles.

"Estamos aqui não só para protestar contra salário baixo e corrupção no governo. Estamos aqui pela vida. Não quero que aconteça com essas mulheres o que aconteceu comigo, quando perdi meu esposo."

O comandante do batalhão, coronel João Jacques Busnello, afirmou que os policiais não aderiram à paralisação. "Nossos policiais estão cientes de que têm trabalho a fazer. Mas eu entendo todos os lados", afirmou.

No 19º Batalhão (Copacabana) na zona sul, no Batalhão de Choque, na região central, e no 3º Batalhão (Méier), na zona norte, a situação diferente da Tijuca: os policiais furaram o bloqueio e realizaram a troca de turno das 6h, mas as mulheres pretendem impedir a saída das 16h.

Em outras partes da cidade

No entanto, os locais de bloqueio efetivo são registros pontuais. No 23º BPM, no Leblon, por exemplo, quatro mulheres tentavam impedir a saída de policiais para as ruas a partir de 5h50. Às 6h, no entanto, a primeira viatura saiu sem maior resistência.

Por volta das 6h10, um micro-ônibus chegou a ser impedido de deixar o local inicialmente. Porém, após conversa dos policiais com as representantes das famílias, o veículo pôde sair com os oficiais que trabalham na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Favela da Rocinha.

"Pedimos a compreensão de vocês. Temos cerca de 20 homens aqui que vão render nossa equipe na UPP da Rocinha. Se eles não chegarem, aqueles que lá estão terão dificuldade para sair. Além disso, ainda iremos perder território em uma área estratégica. Vocês conseguiriam colaborar? Nos outros casos, até podemos conversar. Mas é importante essa equipe sair para o trabalho", explicou o oficial que controlava o fluxo de saída do 23º BPM.

O 18º Batalhão, em Jacarepaguá, também tem mulheres na frente da unidade, mas os policiais trabalham normalmente.

No 27º Batalhão, em Santa Cruz, policiais militares estariam quebrando muros para furar o bloqueio de manifestantes, segundo familiares que estão no local. Procurada, a Polícia Militar não se pronunciou a respeito.

"95% nas ruas"

Em entrevista na frente do 6º Batalhão (Tijuca) nesta manhã, o porta-voz da PM, major Ivan Blaz, afirmou que a situação é de normalidade no patrulhamento da cidade. "Já estamos com 95% do turno no terreno. Temos problemas em casos pontuais e que estão sendo tratados separadamente", disse.

"As tropas de UPP na Tijuca enfrentam alguns problemas com rendição no momento. Enquanto os policiais não estão lá, criminosos se mobilizam." Ele também relatou problemas em Olaria: "O prejuízo no momento é apenas nas UPPs do bairro, apesar de que estamos com policiais lá. Muitos, porém, estão aqui no 6° BPM e precisam sair".

No início da madrugada, Blaz já havia pedido, em vídeo, que as famílias se manifestem a favor dos policiais, mas não bloqueiem as entradas dos quartéis da corporação.

"É fundamental que não esqueçamos o que está acontecendo no nosso Estado vizinho. No Espírito Santo, em poucos dias, mais de 100 pessoas foram mortas, incluindo policiais e seus familiares", disse. "Sabemos que a nossa situação é difícil, é complexa, mas não podemos de forma alguma permitir que esse cenário de barbárie chegue às nossas casas, às nossas famílias."

Durante a semana, uma série de rumores vinha circulando pelas redes sociais indicando que as entradas de quartéis pelo Estado seriam bloqueadas, a exemplo do que tem ocorrido no Espírito Santo desde o último sábado (4).

Rotina

A cidade do Rio de Janeiro continua com a rotina normal. Os transportes públicos, como barcas, trens e metrô, funcionam sem problemas nesta sexta-feira. Os ônibus urbanos e intermunicipais também circulam normalmente pelos bairros do Rio, Baixada Fluminense e interior do Estado. 

Fonte: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/02/10/em-video-porta-voz-da-pm-do-rio-pede-que-familias-nao-facam-bloqueio.htm 

Familiares de policiais protestam em frente de unidades da PM no Rio

Vinte e sete batalhões no Estado têm atos na manhã desta sexta-feira, incluindo a sede do Choque; corporação garante que patrulhamento está normal.

 

Clarissa Thomé, Fábio Grellet, Fernanda Nunes e Mariana Durão , 
O Estado de S.Paulo

 

10 Fevereiro 2017 | 07h33 

Atualizado 10 Fevereiro 2017 | 12h55

RIO - Familiares de policiais militares do Rio de Janeiro protestam na manhã desta sexta-feira, 10, em 27 unidades da Polícia Militar em todo o Estado. Segundo o secretário de Segurança do Estado Roberto Sá, apenas quatro batalhões têm bloqueios bloqueios para impedir a entrada e saída de policiais.

Sá disse, no entanto, que os protestos não impediram o policiamento no Estado. “Houve reunião com a cúpula da corporação para nos anteciparmos para que essa manifestação, ainda que com causa justa, não interferisse na segurança da população”, afirmou o secretário, em entrevista ao RJTV nesta sexta.

Entre as 27 unidades com manifestante, estão o Batalhão de Choque, no centro da capital; o 6º Batalhão, na Tijuca, e o 16º, em Olaria, ambos na zona norte; o 18º Batalhão, em Jacarepaguá, na zona oeste; o Comando de Polícia Pacificadora, no Complexo do Alemão, na zona norte; e unidades da Baixada Fluminense, como em Belford Roxo.

Segundo o porta-voz da corporação, major Ivan Blaz, os únicos pontos com sensibilidade no patrulhamento são os bairros da Tijuca e de Olaria.

"Neste exato momento, nós estamos tendo maior sensibilidade na assunção de serviços de alguns pontos aqui na Tijuca e também em Olaria. São os únicos pontos. O interior do Estado já foi completamente coberto, região metropolitana, Baixada (Fluminense)", garantiu Blaz.

Blaz disse que o comando da PM está debruçado "em esforços em negociar com as equipes que estão fazendo a manifestação".

Entre a quinta-feira, 9 e esta sexta, comandantes dormiram nas unidades para garantir a troca de turno. Em alguns batalhões, a troca ocorreu em postos de polícia. No 6º BPM (Tijuca, zona norte), onde as mulheres fizeram bloqueio e impedem a saída de carros, os policiais assumiram o plantão nas unidades de Polícia Pacificadora. Alguns chegaram a trabalhar sem farda e ficaram com as armas dos colegas que deixavam o serviço. As roupas saíram do batalhão em carros descaracterizados. “A polícia militar deu demonstração de profissionalismo porque colocou como prioridade a segurança de cidadãos”, afirmou Sá.

De acordo com Sá, o pagamento de janeiro será pago no 10ª dia útil (14 de fevereiro). “O governador, conseguindo vitória no STF, se comprometeu a adotar todas as medidas administrativas para o pagamento do 13º salário, Regime Adicional de Serviço (RAS) e metas”, afirmou. O governador Luiz Fernando Pezão recorreu ao Supremo Tribunal Federal para antecipar os efeitos do plano de recuperação fiscal firmado com o governo federal. Para isso, terá de descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal e precisa da autorização do STF.

O secretário garantiu ainda que haverá troca de turno às 17 horas. “Estamos tranquilos em relação a essa troca, sem que precise utilizar a própria unidade. A PM vai continuar o policiamento”.

Comando de Polícia Pacificadora. Às 9 horas, quatro mulheres impediam a entrada e saída de policiais militares do Comando de Polícia Pacificadora, no Complexo do Alemão.

O grupo era liderado pela pensionista Rose, mãe de um PM que trabalha em uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), que chegou ao CPP às 4h45.

As mulheres chegaram a flagrar um grupo de policiais que tentava sair pelo muro, usando uma escada. Rose pegou a escada, que passou a usar para bloquear a entrada e saída de veículos.

"Não vamos deixar ninguém sair para trabalhar. O governo precisa mudar,  precisa pagar os atrasados e respeitar mais os policiais", afirmou, em discurso para um grupo de policiais que tentava sair para, segundo afirmaram, ir para casa após o expediente.

Jacarepaguá. Em Jacarepaguá, 21 pessoas participam do ato no 18º Batalhão. Segundo o grupo, composto por 17 mulheres e quatro homens, nenhuma viatura saiu desde as 3 horas, quando os primeiros manifestantes chegaram.

Um policial fardado que tentou sair alegando ter encerrado o expediente foi impedido até que tirasse a camisa. Com o torso nu, ele foi aplaudido e autorizado a sair.

O grupo aguarda a abertura de uma papelaria na vizinhança para comprar cartolina e produzir cartazes - por enquanto, os manifestantes dispõem apenas de cadeiras de praia e garrafas de café.

Choque. Já na Rua Frei Caneca, no centro, um grupo mulheres tentava interditar a porta da sede do Batalhão de Choque da Polícia Militar, às 6 horas. Vestidas com camisetas idênticas, com as palavras "basta" e "dignidade", elas expõem uma faixa onde se lê: "Eles não podem! Nós podemos! Familiares em apoio ao policial militar. Sangue e vitória".

Em cartazes, questionam "Cadê o 13º salário?", referência ao salário de 2016 ainda não pago pelo governo do Estado. Ao lado do grupo, há um conjunto de garrafas de água mineral.

"Queremos a regularização do pagamento dos salários", reclamou uma das mulheres - nenhuma delas aceitou se identificar. "Se formos identificadas, podem querer perseguir nossos maridos."

Elas se organizaram por grupo de WhatsApp e pretendem ficar por tempo indeterminado. "Se o governo não paga, não vai ter mais policiamento", afirmou uma das manifestantes.

Na frente do batalhão, oito mulheres revistam cada policial que sai para verificar se eles têm uniformes e armamentos nas bolsas. A intenção é só permitir a saída de quem está deixando o turno.

Além do pagamento do 13º salário, as manifestantes reivindicam o Regime Adicional de Serviço (RAS) prometido para a Olimpíada e o ano-novo e os vencimentos atrasados.

"Também sou policial, como o meu marido. Lá em casa só tem dinheiro de segurança. Imagina a situação da nossa família", afirmou a policial civil Alessandra, que não quis divulgar o sobrenome com medo de represálias.

Questionada sobre os riscos de se repetir no Rio o cenário de guerra provocado pela ausência de policiamento nas ruas de Vitória, ela respondeu que "infelizmente a intenção é essa".  E complementou que o movimento das mulheres de policiais "é a única maneira de dar um jeito", de forçar o pagamento de atrasados pelo governo estadual.

Elas planejam trazer barracas para as portas do batalhão e permanecerem em protesto por noites e dias até que os atrasados sejam pagos. Para se manterem no local, trouxeram 15 pacotes de água mineral com 12 garrafas cada um, café, guaraná natural, cadeiras de praia e biscoitos.

Tijuca. O porta-voz da PM esteve por volta das 8h40 na sede do 6º Batalhão, na Tijuca, onde outro grupo de mulheres também impedia a entrada e saída de policiais.

Ele admitiu que havia "sensibilidade na assunção de serviço" no 6º e no 16º Batalhões, este em Olaria, também na zona norte, mas reafirmou que o policiamento estava normal em todas as outras áreas do Estado.

 

http://brasil.estadao.com.br/noticias/rio-de-janeiro,familiares-de-policiais-protestam-em-frente-de-unidades-da-pm-no-rio,70001660617?success=true 

"Situações vexatórias", diz secretário de Segurança do ES sobre PMs parados

Do UOL, em São Paulo

12h07

 

O MPF (Ministério Público Federal) no Espírito Santo quer saber se houve determinação expressa e direta a policiais militares para que deixassem os quartéis e assumissem seus postos de trabalho. Caso isso não tenha acontecido, a procuradoria deseja uma explicação da Secretaria de Segurança sobre essa ordem não ter sido dada.

Desde sábado (4), familiares de PMs têm impedido a saída dos agentes dos quartéis do Estado, o que, na visão do MPF, tem instaurado caos e pânico geral acerca da segurança pública da população capixaba.

Mais de 60 homicídios foram registrados no Espírito Santo desde então, o que aumentou em mais de seis vezes a média diária de assassinatos. Saques, roubos e arrastões também são registrados por todo o Estado.

O prazo para que a secretaria passe a informação ao MPF termina no fim da tarde desta terça-feira (7).

"A ordem foi dada nesta manhã", disse o comandante da PM do Estado, coronel Nilton Rodrigues, no início da tarde. "As escalas de serviço existem como existiram sempre. A escala de serviço é uma ordem".

 

Clima de feriado

A presença de militares e da Força Nacional não foi suficiente para encorajar os moradores de Vitória e da região metropolitana a retomarem a rotina. Com a PM nos quartéis e batalhões, a maioria das ruas permaneciam vazias e o comércio, fechado no começo da manhã desta terça, em uma espécie de feriado forçado.

Ao menos 250 integrantes das Forças Armadas já estão no Espírito Santo, segundo o comando do Exército na região. A expectativa é de que mais 1.000 cheguem, ainda hoje, ao Estado, disse o secretário de Segurança Pública capixaba, André Garcia, à Record TV. "Estamos garantindo a segurança para que a vida volte ao normal", disse, qualificando a suspensão do serviço de policiamento como "um movimento irresponsável".

Fonte:https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/02/07/mpf-quer-saber-se-governo-do-es-ordenou-que-policiais-voltem-ao-trabalho.htm