Segurança Pública

Em menos de uma hora, atentados a tiros matam dez pessoas na periferia de São Paulo

Crimes ocorreram nos bairros do Jaçanã, na zona norte da capital paulista, e no Campo Limpo, na região sul. Ao todo, atiradores atacaram 13 pessoas

 

Dois atentados a tiros deixaram dez pessoas mortas e três feridas entre o final da noite de ontem (4/04) e início da madrugada desta quarta-feira (5/04), na periferia da cidade de São Paulo.

 

Os ataques ocorreram em um intervalo de 44 minutos. O primeiro atentado ocorreu às 23h20, em um bar na rua Antônio Sérgio de Matos, 23, bairro do Jaçanã, zona norte.

 

Testemunhas disseram à polícia que dois homens ocupando uma moto Honda Twister, prata, chegaram ao bar e foram logo atirando.

 

Foram mortos Sidney Rodrigues Cordeiro, 28 anos, Valdir Pereira de Souza, 46, Adriano dos Anjos Silva, 39, Wellington Claudino de Souza, 35, Gilmar Vieira da Silva, 39, Luís Fernando Ramos, 39, e Júnior Pereira de Souza, 28.

 

Até as 16h30 desta quarta-feira (05/04), a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo não confirmava  a morte de Júnior Pereira Souza. Já a Polícia Militar informou que ele morreu a caminho do hospital.

 

Os assassinos fugiram. A Secretaria da Segurança Pública da gestão de Geraldo Alckmin (PSDB) também não soube informar se os atiradores estavam encapuzados, se usavam capacete ou se estavam com o rosto à mostra.

 

Ficaram feridos Alexsandro de Oliveira Júnior, 21 anos, e José Francisco dos Santos Farias, 28 anos.

 

Os policiais militares Luiz Tomadon Júnior, 31 anos, e Sílvio Pereira dos Santos Neto, 25 anos, da 1ª Companhia do 43° Batalhão, foram os primeiros a chegar no local do atentado.

 

Segundo os PMs, o dono do bar, Aluísio Cláudio Rodrigues, 57 anos, não estava no estabelecimento no momento do ataque porque tinha saído para jantar.

 

No local do crime foram apreendidos projéteis de pistola calibre 45. A chacina foi registrada no 73º DP (Jaçanã), mas vai ser investigada pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), da Polícia Civil.

 

Tiros na zona sul

O segundo atentado a tiros aconteceu à 0h40 nas ruas Carualina e Professora Nina Stocco, 10, Campo Limpo, zona sul da cidade de São Paulo.

 

A Polícia Civil apurou que o metalúrgico Wesley Francisco de Lima, 29 anos, conduzia sua moto, levando na garupa Wizmael Dias Correia, 19, quando foram seguidos por dois homens em uma moto Honda XRE, preta.

 

Lima tentou fugir. Porém, Correia ficou assustado e desceu da moto. Os desconhecidos os alcançaram na rua Carualina.

 

Os ocupantes da moto Honda XRE sacaram as armas e atiraram em Correia. Ele morreu e o metalúrgico conseguiu fugir.

 

Meia hora depois, o entregador de pizza Johnny Felipe Nascimento, 24 anos, parava na rua Professora Nina Stocco para pedir uma informação.

 

Foi quando os ocupantes da moto Honda XRE apareceram e, sem dizer nada, efetuaram vários disparos.

Nascimento foi ferido na mão. Vinícius Aparecido Paula Guedes, 19 anos, e Kayke Santos Moreira, 20, morreram.

 

Quando os PMs Vinicius Viana Marques, 27 anos, e Victor Guimarães Galvão, 34, da 3ª Companhia do 16º Batalhão, chegaram para atender a ocorrência policial, os atiradores já tinham fugido.

 

Na cena do crime foram encontradas cápsulas de pistolas calibre .380 e 9 mm.

 

O delegado Rogério Zuim Uehara, do 89º DP (Portal do Morumbi), registrou a ocorrência. O DHPP também investiga o caso.

 

Fonte: http://ponte.cartacapital.com.br/em-menos-de-uma-hora-atentados-a-tiros-matam-dez-pessoas-na-periferia-de-sao-paulo/ 

Uma em cada quatro empresas de segurança em São Paulo é ligada a policiais

Por Ciro BarrosIuri Barcelos | 29 de março de 2017

 

A Pública levantou as fichas cadastrais das 476 empresas da área registradas na Junta Comercial de São Paulo; violência, uso de “bicos” de agentes públicos, clandestinidade e extravio de armas preocupam em um setor que não para de crescer

 

Cerca de um quarto (23%) das empresas especializadas em segurança privada registradas em São Paulo tem ou já teve policiais em seu quadro societário. Os dados são de um levantamento feito pela Pública com as fichas cadastrais das 476 empresas e cursos de formação da área registrados na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) e autorizados pela Polícia Federal (PF). Dos 127 policiais civis, militares e federais ligados às empresas, 73 ainda constam como sócios.

Certamente há muito mais agentes de segurança pública no setor privado de vigilância. O levantamento se refere apenas a nomes que constam como sócios das empresas – não cobre os que ocupam cargos como assessores e diretores. Também há muitos agentes ligados às consultorias especializadas do setor ou em que a sociedade está em nome de parentes, funcionários e representantes.

Não é uma prática ilegal. Segundo a Lei Orgânica das Polícias, os agentes podem ser donos de empresas de segurança desde que não sejam os administradores da sociedade ou trabalhem de fato nelas. Para estudiosos da área, porém, como o professor André Zanetic, do Núcleo de Estudos da Violência da USP (NEV-USP), a questão é “delicada”. “Há riscos como a alocação de policiais nas empresas, às vezes mexendo até com a estrutura do dia a dia da atividade de segurança pública com base na rotina da segurança privada”, analisa. Um exemplo dos riscos apontados pelo professor ocorreu no Rio de Janeiro e foi revelado pelo repórter Antônio Werneck, do jornal O Globo. Policiais cariocas assediaram síndicos e comerciantes de Copacabana, oferecendo os serviços da empresa Santa Clara Vigilância para expulsar do bairro pessoas em situação de rua.

Há, ainda, um grande número de policiais associados ao enorme setor clandestino da segurança privada. Estima-se que para cada vigilante cadastrado haja outros três atuando na clandestinidade, frequentemente policiais, agentes penitenciários e outros servidores ligados à segurança pública.

A proximidade com os agentes é só um dos problemas associados ao setor, que vem crescendo exponencialmente no Brasil desde a sua regulamentação na ditadura militar. Entre 2002 e 2015, o faturamento nominal da área explodiu: passou de R$ 7 bilhões para R$ 50 bilhões segundo o IV Esseg (Estudo do Setor da Segurança Privada) feito pela Federação Nacional de Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist). O número de empresas cresceu em torno de 75% entre 2002 e 2016, passando de 1.386 para 2.438 autorizadas a prestar serviços de segurança.

Quem contrata essas companhias são principalmente as indústrias, os bancos e o governo. Segundo o Portal da Transparência, o governo federal gastou mais de R$ 2 bilhões em contratos com empresas de segurança privada em 2016, representando cerca de um quarto do total dos gastos em serviços da União.

O número de vigilantes também impressiona. De acordo com os dados da PF – que é, por lei, a responsável pela fiscalização das empresas –, há quase 500 mil vigilantes cadastrados no país. Muito próximo do número de policiais civis e militares que atuam em território nacional: 552 mil. Entre 2010 e 2015, a PF emitiu em média 160 mil novas Carteiras Nacionais de Vigilantes (CNVs) por ano. Ainda segundo o órgão, as empresas de segurança privada possuem um arsenal de 248 mil armas e 122 milhões de munições.

 

No RJ, 17,6 mil armas extraviadas de empresas de segurança em dez anos

 

Em um setor tão sensível, a prosperidade se traduz em números preocupantes. Um deles é o de extravio de armas do arsenal das empresas. Entre 2006 e 2015, 17,6 mil armas foram extraviadas das empresas privadas no estado do Rio de Janeiro e, no mesmo período, 1.016 da Polícia Civil e 645 da Polícia Militar. Os dados foram obtidos pela CPI das Armas da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), criada no final de 2015.

“Você já viu uma quadrilha pegar um carro-forte em trânsito, o que eles fazem?”, pergunta o presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada, Segurança Eletrônica e Cursos de Formação do Estado de São Paulo (Sesvesp), João Eliezer Palhuca, que recebeu a Pública para a entrevista na elegante sala de reuniões da sua empresa de segurança, a Evik.

“Eles atiram até com bazuca, uma arma que derruba até avião, faz furo em blindagem de tanque de guerra. Nós tivemos em 2015 e 2016 11 mortes dentro de carros-fortes. Em locais de guarda de armamento, foram seis ou sete explosões com dinamite. Temos uma política de segurança pública fraca”, diz quando indagado sobre o alto índice de extravio de armas na segurança privada.

Esse argumento seria repetidamente ouvido pela Pública em entrevistas com empresários do setor para explicar o problema: empresas e vigilantes são alvos frequentes de ações criminosas e ficam sem as armas. O próprio Palhuca, porém, reconhece que isso não justifica plenamente a enorme desproporção entre os extravios de armas nos setores público e privado. “As empresas têm um contingente de armas enorme. Eu sei de uma empresa que tem 11 mil armas armazenadas, tem exércitos no mundo que não tem esse número. E, infelizmente, tem muitas que não armazenam essas armas em locais adequados. Tem empresa que armazena armas em lavabo, em cômodo com tijolo de barro. Com qualquer marretada, o cara pega as armas que quiser”, conta.

Quem fiscaliza as empresas de segurança privada são as Delegacias de Controle de Segurança Privada (Delesps), da PF. A fiscalização é administrativa, limita-se a checar se a empresa cumpre os quesitos estabelecidos pela legislação federal e pelas portarias da própria PF. São eles: possuir capital social integralizado mínimo de 100.000 (cem mil) Ufir; provar que os sócios, administradores, diretores e gerentes da empresa não têm condenação criminal registrada; manter sob contrato o mínimo de 15 vigilantes; comprovar a posse ou propriedade de no mínimo um veículo comum, com sistema de comunicação ininterrupta com a sede da empresa em cada unidade da federação em que estiver autorizada e possuir instalações físicas adequadas segundo alguns critérios específicos – e aí se exige, sim, que haja locais seguros para armazenamento de armas. Para terem renovados seus alvarás, as empresas passam por uma fiscalização anual. Se há descumprimento de algum quesito, as punições vão de multas ao cancelamento da autorização para prestar os serviços.

Quando questionado sobre as providências tomadas depois de constatar a alta do extravio de armamentos, por exemplo, o chefe substituto da Delesp, Marcelo Daemon, disse à CPI das Armas que apenas informou aos órgãos de segurança pública, Polícia Civil, Polícia Militar. “Quando notamos algo pontual, expedimos ofício ao chefe da delegacia da área e, mais recentemente, expedimos também ofício para a nossa delegacia de repressão ao tráfico de armas e crimes contra o patrimônio”, disse em seu depoimento de 15 de novembro de 2015. Nem essa fiscalização administrativa parece estar funcionando. “Tem empresa que registrava extravio de armas mesmo tendo dado baixa nos anos 1980”, diz o deputado Luiz Martins.

Em nota, a PF informou à Pública que, “com a atualização da Portaria nº 3.233/2012-DG/DPF, a Polícia Federal irá exigir construção de salas de armas com mais elementos de segurança, e para a reposição dos produtos controlados extraviados, seja qual for o motivo, serão adotados critérios mais rigorosos de análise da ocorrência, inclusive com análise do histórico de ocorrências da empresa”.

 

À base de “bicos”

 

Outro ponto preocupante da segurança privada é o emprego de agentes públicos nos chamados “bicos”, principalmente pelas muitas empresas clandestinas do setor.

“É muito forte aqui no Brasil essa ideia de que segurança é coisa de polícia”, avalia Viviane Cubas, pesquisadora do NEV-USP e autora da tese “A expansão das empresas de segurança privada em São Paulo”. “O policial, quando vai atuar no serviço de segurança, está levando consigo toda a estrutura que o Estado investiu nele. Ele acaba vendendo um serviço privilegiado de polícia. Muita gente contrata um policial porque sabe que, se tiver um problema, ele vai ter acesso mais fácil à estrutura policial. É isso que o qualifica como um bom vigilante. Isso acaba sendo uma privatização de um serviço de segurança pública”, diz a acadêmica.

Para os policiais, a dupla jornada de trabalho também representa riscos maiores do que na atividade regular, como explica Viviane. “Se você pega os números da Ouvidoria de polícia, um grande número de policiais mortos em folga morre durante esses bicos. Eles estão trabalhando sozinhos, o que é mais raro de acontecer quando eles estão em serviço. Então eles ficam muito mais vulneráveis do que atuando por suas corporações”, diz.

Em 2015, o número de policiais civis e militares mortos em folga foi quase o triplo dos que morreram em serviço (267 mortos fora da corporação ante 91 fardados), segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. E a tendência de alta se mantém, como disse à Pública o ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo, Julio Cesar Fernandes Neves: “Nós observamos isso. O número de policiais mortos em folga vem sendo maior ano a ano do que os que morrem em serviço, e um número considerável dessas mortes ocorre durante esses trabalhos paralelos à atividade policial”.

“Só tenho a dizer que ele era uma pessoa maravilhosa, nunca deixava faltar nada para o nosso filho. Sempre nos apoiou da melhor maneira. Nunca nos deixou na mão”, diz Verena Dourado, ex-mulher do soldado da PMERJ Jefferson Cruz Pedra, morto aos 37 anos ao reagir a um assalto a uma joalheria no Tijuca Off Shopping, na zona norte do Rio de Janeiro. Jefferson morreu no dia 5 de janeiro deste ano. Ele havia se mudado de Salvador para o Rio após passar no concurso da PMERJ em 2012 e fazia bico nas horas vagas como segurança do shopping, como tantos colegas que tiveram o mesmo fim.

 

PF não tem registro de mortes praticadas por seguranças

 

O outro lado da moeda também mostra o descontrole da segurança privada. Quando um vigilante mata em serviço, por exemplo, ele é responsabilizado na esfera penal, e a empresa responde na área cível caso as vítimas procurem a Justiça para pedir indenização. A PF informou à Pública que não possui um levantamento das mortes praticadas por seguranças privados no Brasil. Isso apesar dos notórios casos de mortes provocadas por vigilantes.

Dia 11 de novembro de 2008. Alberto Milfont Júnior, 23 anos, morador do Capão Redondo, zona sul de São Paulo, foi a uma loja da Casas Bahia comprar um colchão para sua nova casa. Dali a pouco ele se mudaria com a futura esposa, Darilene Pereira Ribeiro, com quem já tinha um filho de alguns meses, e precisava mobiliar a nova morada. Ninguém esperava que ele fosse morto no processo. “O Júnior entrou na loja e o segurança começou a desconfiar porque ele estava de chinelo, acho que ele pensou que meu filho estava mal vestido”, relembra emocionada a mãe de Alberto, Francisca Aldeiza da Silva. Segundo o relato dela, Alberto entrou e saiu da loja várias vezes e notou que o segurança passou a acompanhar seus movimentos. Ele já havia comprado seu colchão e foi com a nota fiscal na mão discutir com Genilson Alves de Sousa, que fazia a vigilância naquele dia pela empresa Gocil.

“Ele quis confrontar o segurança para entender porque ele estava sendo seguido, mostrou a nota fiscal o tempo todo para ele dizendo que não era ladrão”, diz Francisca. Em dado momento, segundo a versão da família e de sua noiva, Darilene, que o acompanhava naquele dia, ele aumentou o tom. Genilson apontou a arma para Alberto, que questionou: “Vai atirar em mim? Atira. Quero ver se tem coragem”. O segurança retrucou: “Fala ‘duvido’”, desafiou. Alberto disse que duvidava e Genilson o acertou com um tiro no rosto. O jovem caiu morto na hora.

“Por mais que possa ter havido excessos, ele morreu defendendo um direito. Ele só queria ser bem atendido”, diz Ana Beatriz Fernandes Nogueira, diretora pedagógica da Casa do Zezinho, ONG que atua com crianças e adolescentes na região do Capão Redondo. A notícia, segundo ela, caiu como uma bomba entre os colegas de Alberto. “Ele era muito querido. Um menino muito alegre, que todo mundo gostava. Eu nunca vi uma igreja tão cheia como o dia que aconteceu a missa pra ele”, relembra Ana Beatriz. O segurança Genilson foi preso e condenado a 22 anos, mas recorreu e ganhou o direito de responder em liberdade.

 

Um caso mais recente ocorreu há poucos dias, em um posto de gasolina próximo ao aeroporto de Manaus, e indica um possível assassinato. O adolescente Isaque da Silva Correia, de 17 anos, havia saído para comemorar seu aniversário e festejava no posto com os amigos na madrugada do dia 11 para o dia 12 de março deste ano. Segundo as testemunhas, o vigilante Juliano Tanabe de Azevedo, de 25 anos, se aproximou do grupo e pediu que colocassem as mãos na cabeça. Em seguida, Isaque foi baleado com um tiro na nuca e morreu na hora. O segurança foi preso em flagrante e teve a prisão preventiva decretada pela juíza Andrea Jane Silva de Medeiros no último dia 13. A Pública não conseguiu contato com o advogado de Juliano.

 

Fonte: http://apublica.org/2017/03/uma-em-cada-quatro-empresas-de-seguranca-em-sao-paulo-e-ligada-a-policiais/ 

Número de mortos pela PM do Rio cresce 78% em 2017

Foram 182 registros nos 2 primeiros meses do ano, contra 102 no mesmo período de 2016; vídeo divulgado nesta 5ª mostra execução de 2 suspeitos rendidos.

Roberta Pennafort , 


O Estado de S.Paulo

31 Março 2017 | 11h11

RIO - O número de mortos em ações policiais subiu 78% nos dois primeiros meses deste ano, de 102 para 182, em relação ao mesmo período de 2016. Em janeiro, foram 98 mortos; já em janeiro de 2016, 53. Em fevereiro, o crescimento ante 2016 foi de 49 para 84. Os dados são do Instituto de Segurança Pública (ISP), do Estado, e foram divulgados nesta semana. 

O chamado homicídio decorrente de oposição à intervenção policial inclui casos semelhantes ao dos supostos traficantes executados a tiros de fuzil na tarde desta quinta-feira, 30, por dois PMs na Pavuna, na zona norte da capital fluminense. Conforme mostra um vídeo que circula nas redes sociais, dois homens foram alvejados quando já estavam caídos no chão.

Eles foram mortos em frente à Escola Municipal Daniel Piza, onde estudava a menina Maria Eduarda Alves da Conceição, de 13 anos, assassinada na ação quando fazia uma aula de Educação Física. O corpo dela será enterrado nesta sexta-feira, 31. A família pretende processar o Estado.

"Como é que foi uma bala perdida, se há quatro perfurações no corpo da minha irmã? Foi uma execução: executaram bandidos e executaram a minha irmã", disse o irmão dela, Uidsom Alves Ferreira. 

Segundo a PM, no momento em que Maria Eduarda foi baleada, policiais e bandidos se enfrentavam no Conjunto Habitacional Fazenda Botafogo, próximo à escola. Ainda não se sabe se o disparo que a matou saiu da arma de um PM ou de um dos traficantes. Os PMs, do 41º Batalhão (Irajá), ficarão presos no batalhão prisional da PM em Niterói, no Grande Rio. 

O ISP divulgou que a letalidade violenta, que compreende também homicídios dolosos, roubos seguidos de morte e lesões corporais seguidas de morte, registrou aumento de 28,1% em 2017 em relação a 2016 (foram 616 casos, ante 481).

Estratégia. No fim do ano passado, em entrevista ao Estado, o secretário estadual de Segurança Pública, Roberto Sá, ao avaliar os já crescentes índices de violência no Estado, mesmo em ano de Olimpíada na capital, disse que estava projetando ações efetivas com emprego de menos recursos.

Os números subiram no contexto da crise financeira do Estado, que vem atrasando os salários e benefícios de policiais, e que fez com que a Polícia Civil entrasse em paralisação parcial desde o começo do ano.

Na ocasião, o secretário disse que os PMs que cometem abusos devem ser punidos com rigor e, fazendo um prognóstico para 2017, afirmou que era urgente regularizar os salários.

"Se os policiais estiverem recebendo salário em dia, tenho otimismo de que a gente pode tentar reduzir a violência. E meu planejamento é para reverter essa tendência de elevação dos índices e começar a tendência de queda. Não vou sentar sobre um cenário de crise e deixar as coisas acontecerem."

http://brasil.estadao.com.br/noticias/rio-de-janeiro,numero-de-mortos-pela-pm-do-rio-cresce-78-em-2017,70001721645

 

Detenção de pichadores dobra em meio à criminalização de Doria

 

Número de detidos por pichar ou grafitar na cidade de São Paulo passou de 22, em janeiro passado, para 50, no mesmo mês deste ano

 

Em meio à batalha promovida pelo prefeito João Doria (PSDB) e sua “Cidade Linda” contra os pichadores, na cidade São Paulo, a quantidade de pessoas detidas em flagrante por infringirem o artigo 65 da Lei de Crimes Ambientais (Lei 9605/98), cresceu 100% no período de um ano.

De acordo com a SSP (Secretaria de Segurança Pública), em janeiro de 2016, 22 pessoas foram detidas por estarem praticando arte na rua sem autorização, ante 50 nos primeiros trinta dias deste ano. Os dados foram obtidos por meio da estratificação de boletins de ocorrência à qual a Ponte teve acesso. Em 2015, no mesmo período, os detidos chegaram a 47.

Em números gerais, ainda segundo os dados da Polícia Civil, 470 pessoas foram detidas em flagrante no ano passado. Já os dados atuais da Prefeitura de São Paulo indicam que 87 pessoas foram detidas em flagrante pelo delito na capital até o dia 9 de março deste ano.

Se por um lado o prefeito tucano diz admirar o trabalho dos grafiteiros e criminaliza os pichadores, referindo-se a estes como “criminosos” e vibrando com a detenção de cada um — que deverá pagar uma multa entre R$ 5 mil a R$ 10 mil —, a polícia os trata de maneira igual, já que, pela descrição que consta nos boletins de ocorrência, os detidos foram conduzidos a delegacia em flagrante por “pichar, grafitar ou por outro meio conspurcar edificação ou monumento”.

Para o sociólogo Eduardo Viveiros de Freitas, “mais de uma prisão por dia é um número que deveria chamar a atenção da sociedade”. “Punir e excluir ainda mais não é uma resposta adequada. Não acrescenta nada à solução dos problemas. Se fosse para resolver o problema das pichações, as ações não seriam espetaculares. Seria um trabalho de longo prazo, envolvendo educação”, destaca.

Das 50 pessoas fichadas neste ano, 45 são homens, quatro são mulheres e uma não teve o sexo identificado no boletim de ocorrência. Entre os homens, 38 dos indiciados são maiores, com idades entre 18 a 48 anos. Outros sete são menores, na faixa entre 15 a 17 anos. Já entre as mulheres, todas as detidas são maiores, com idades entre 18 a 20 anos.

O maior número de detenções ocorreu durante a madrugada do dia 23 de janeiro, quando seis jovens foram levados até o 13º DP (Casa Verde), na zona norte da capital paulista. Em virtude de alguns dados do BO serem confidenciais, não foi possível obter a localidade em que os seis foram detidos.

À sombra do ocorrido na delegacia da Casa Verde, outros três distritos da Polícia Civil também registraram seis fichamentos: o 3º DP (Campos Elísios) e o 78º DP (Jardins), ambos no centro, e o 36º DP (Paraíso), na zona sul. As rondas contra os pichadores não se restringem ao centro expandido, sendo o 10º DP (Penha) e o 62º DP (Ermelino Matarazzo), ambos na zona leste, e o 46º DP (Perus), no extremo oeste, responsáveis por outros seis registros — dois cada DP.

Com uma longa trajetória no universo da pichação paulistana, iniciada nos anos 1990, Bugalu, hoje com 38 anos, analisa que Doria “está gastando energia no lugar errado”. “Prefeitura tem que se preocupar com saúde, lazer, escola e transporte público, muita campanha pra pouca coisa. Quando eles querem criar uma lei ela vem da noite para o dia, pra mim é marketing de burguês”, critica.

Bugalu conta que, ao longo dos anos, foi detido várias vezes e chegou a responder a seis processos, todos eles já quitados na Justiça.

“No início a pichação veio como protesto. No decorrer nos anos 90 ela se espalha por turma querendo demarcar a cidade. Jovem da periferia não tem espaço cultural, esporte no seu bairro, e ‘a rua’ tem todos os elementos que quer um jovem com a mente à milhão, querendo se destacar, ser reconhecido de alguma forma. Na falta de investimento do governo, a pichação se torna um esporte, uma maneira de se destacar, em extravasar sua adrenalina”, afirma. “Hoje o sistema penitenciário no Brasil é escola para bandido, como você tranca alguém que mata, rouba ou coisas mais graves, com quem faz intervenção com tinta”, completa Bugalu.

De outra geração, pouco depois dos anos 2000, Thiago Intropidi alega que começou na pichação, mas resolveu mudar de caminho e grafitar com autorização ao se deparar com a ilegalidade.

“Eu acho que a pichação é sim uma forma de se expressar, mas hoje em dia eu vejo como uma forma errada, acredito que existam outros meios. Quando eu comecei, gostava da adrenalina que aquilo me proporcionava, gostava de deixar minha ‘marca’ nos muros. De passar pelo local outro dia e lembrar como foi o rolê naquela noite”, conta. “Quando percebi que o cerco estava fechando e pichação era considerada um crime, eu que já não era mais um adolescente, resolvi começar a fazer desenhos nos muros, e assim, com a autorização das pessoas, comecei a fazer grafite”, completa.

Para ele, pessoas pegas pichando não deveriam ser presas, mas realizar “serviços comunitários, ajudar a limpar a cidade ou ajudasse a limpar uma escola, uma creche”.

Outro lado

Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que “os números demonstram que os trabalhos de combate à pichação estão efetivamente sendo realizados”.

“Do início do ano até hoje, 87 pessoas foram presas por crime ambiental. Vale lembrar que os detidos -que além do aspecto criminal, responderão a ações civis públicas e pagarão multas- são pichadores, e não grafiteiros. Estes últimos são artistas de rua que terão suas manifestações incentivadas com políticas públicas -uma das principais será o Museu de Arte de Rua”, diz a nota.

 

Fonte: http://ponte.cartacapital.com.br/detencao-de-pichadores-dobra-em-meio-a-criminalizacao-de-doria/

 

Uma mulher foi agredida a cada 3 minutos durante carnaval do Rio

Balanço da PM registra 2.154 casos de agressão em cinco dias no Estado

Fábio Grellet , 

O Estado de S. Paulo

03 Março 2017 | 00h11

 

RIO - Em cinco dias, período de duração da Operação Carnaval realizada pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, a instituição prestou 15.943 atendimentos por meio do telefone 190. Desses, 2.154 (13,5%) se referiam a casos de violência contra mulheres.

Divulgados pela PM, os dados se referem ao período das 8h de sexta-feira, 24, às 8h de quarta-feira, 1º, em todo o Estado. Portanto, houve mais de 430 casos desse tipo por dia, ou um episódio de agressão a cada pouco mais de 3 minutos.

O segundo tipo mais comum de ocorrência foi perturbação do sossego, com 1.923 chamadas (12% do total).

Também foram realizadas 226 prisões e 78 apreensões (de crianças ou adolescentes), e 69 armas foram apreendidas. Foram encontradas e recolhidas 28 frascos de lança-perfume, além de pequenas quantidades de maconha, cocaína, crack, ecstasy e haxixe.

 

http://brasil.estadao.com.br/noticias/rio-de-janeiro,uma-mulher-foi-agredida-a-cada-3-minutos-durante-carnaval-do-rio,70001685073