Juventude e Segurança

Sem dúvida, os jovens representam o grupo social mais vulnerável tanto em termos de dificuldades de acesso ao emprego e à cidadania, quanto em termos de vitimização à violência.

Os jovens tem uma presença significativa nas estatísticas de mortalidade por causas externas, particularmente morte provocada pela violência. Eles compõem um grupo muito vulnerável em relação ao contato prematuro com organizações criminosas, com o cigarro, a bebida alcoólica e as drogas. Os jovens também têm uma importante participação em situação que envolvem acidentes de trânsito e parcela importante deles está fora do ensino público.

Não bastasse esse quadro, os jovens, sobretudo os moradores das periferias das nossas cidades, são eleitos como alvo preferencial para a ação policial, sendo assim, vítimas da violência policial e de maus-tratos dentro do sistema sócio-educativo.

Nesse sentido, é urgente que as políticas de segurança pública concebam projetos e ações voltados para a inclusão dos jovens. Essa inclusão pode ser contemplada através de inúmeras iniciativas, muitas das quais já estão sendo colocadas em prática.

Entretanto, essas politicas precisam ser integradas e expandidas para que o poder público e a sociedade civil tenham condições de dar aos jovens a esperança de um futuro melhor.

Nessa página, o OSP pretende observar as politicas públicas voltadas para a juventude e indicar em que medida essas politicas contribuem para a melhora das condições de cidadania e direitos humanos dos jovens.


“Fatores de risco, evoluções e desfechos observados em jovens liberados de unidades de internação da Febem”

Esse é o título da pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, em parceria com a Universidade McMaster do Canadá e técnicos da FEBEM (hoje Fundação CASA).

A pesquisa foi divulgada em agosto de 2006.

Conforme a Fundação, a proposta da pesquisa consistiu em analisar a trajetória dos adolescentes que cumpriram a medida sócio-educativa de privação de liberdade, de modo a verificar, se esses adolescentes, que na desinternação não tiveram um acompanhamento para ajudá-los na reintegração, estariam sujeitos a maior risco e piores evoluções, como a reincidência e nova internação na instituição.

A divulgação da pesquisa ocorreu no dia 31 de agosto de 2006. Os pesquisadores envolvidos organizaram uma conferência e worshop, que reuniu os funcionários da Fundação CASA, membros do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente – CONANDA e a imprensa.

O objetivo foi a recomendação de programas de políticas públicas, divulgação dos relatórios técnicos – dados estatísticas da pesquisa – e a exibição do vídeo: Exilados do Mundão, produzidos por um grupo de adolescentes que cumpriram medida sócio-educativa de privação de liberdade.

Em 03 de setembro de 2006, houve a divulgação dos dados da pesquisa em rede nacional, no programa Fantástico, da Rede Globo, cujo destaque foi “30% dos adolescentes da FEBEM são da classe média”.

A reportagem ressaltava que tais dados indicavam uma nova população na instituição. No jornal O globo, edição de setembro de 2006, os dados foram sobre as trajetórias dos adolescentes, destacando que, dos 325 adolescentes participantes da pesquisa apenas 125 deles foram localizados. Dos jovens localizados, a pesquisa destacou que 20,4% retornaram para a Fundação e os outros 39% dos pesquisados estavam estudando e trabalhando informalmente. A reportagem é concluída com a seguinte apreciação da presidente da Fundação, Berenice Gianella: "A Febem não é uma máquina de recuperar pessoas. Os internos que vêm aqui já são infratores. O problema é o ato infracional. O que fazemos é dar exemplos, mostrar limites que muitos não têm. Mas a recuperação depende mais deles"

Além dos dados sobre os adolescentes, a pesquisa apresenta informações sobre o perfil dos servidores públicos da Fundação CASA.

Para conhecer mais veja as indicações bibliográficas e baixe os arquivos


Referências:

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_____. O novo estatuto da criança e do adolescente no Brasil: da situação irregular à proteção integral. In: MENDEZ, E. G.; COSTA, A. C. G. Das necessidades aos direitos. São Paulo: Malheiros, 1994e (Série Direitos das Crianças n. 4).

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UNICEF. A voz dos adolescentes. Brasília, 2002.


AnexoTamanho
Ibase Relatorio da juventude1.85 MB
Relatorio de desenvolvimento juvenil 20072.35 MB
Pesquisa Liberdade Assistida e Semi Aberto FEBEM,2006602.2 KB
Pesquisa Internos da FEBEM, 2006459.43 KB
Relatório Preliminar da Comissão da Juventude, 2003714.11 KB
Conferencia Nacional da Juventude, 2004154.4 KB
Perfil das Delegacias Espec. Crianças e Adolescentes 2004249.37 KB