Familiares de policiais protestam em frente de unidades da PM no Rio

Vinte e sete batalhões no Estado têm atos na manhã desta sexta-feira, incluindo a sede do Choque; corporação garante que patrulhamento está normal.

 

Clarissa Thomé, Fábio Grellet, Fernanda Nunes e Mariana Durão , 
O Estado de S.Paulo

 

10 Fevereiro 2017 | 07h33 

Atualizado 10 Fevereiro 2017 | 12h55

RIO - Familiares de policiais militares do Rio de Janeiro protestam na manhã desta sexta-feira, 10, em 27 unidades da Polícia Militar em todo o Estado. Segundo o secretário de Segurança do Estado Roberto Sá, apenas quatro batalhões têm bloqueios bloqueios para impedir a entrada e saída de policiais.

Sá disse, no entanto, que os protestos não impediram o policiamento no Estado. “Houve reunião com a cúpula da corporação para nos anteciparmos para que essa manifestação, ainda que com causa justa, não interferisse na segurança da população”, afirmou o secretário, em entrevista ao RJTV nesta sexta.

Entre as 27 unidades com manifestante, estão o Batalhão de Choque, no centro da capital; o 6º Batalhão, na Tijuca, e o 16º, em Olaria, ambos na zona norte; o 18º Batalhão, em Jacarepaguá, na zona oeste; o Comando de Polícia Pacificadora, no Complexo do Alemão, na zona norte; e unidades da Baixada Fluminense, como em Belford Roxo.

Segundo o porta-voz da corporação, major Ivan Blaz, os únicos pontos com sensibilidade no patrulhamento são os bairros da Tijuca e de Olaria.

"Neste exato momento, nós estamos tendo maior sensibilidade na assunção de serviços de alguns pontos aqui na Tijuca e também em Olaria. São os únicos pontos. O interior do Estado já foi completamente coberto, região metropolitana, Baixada (Fluminense)", garantiu Blaz.

Blaz disse que o comando da PM está debruçado "em esforços em negociar com as equipes que estão fazendo a manifestação".

Entre a quinta-feira, 9 e esta sexta, comandantes dormiram nas unidades para garantir a troca de turno. Em alguns batalhões, a troca ocorreu em postos de polícia. No 6º BPM (Tijuca, zona norte), onde as mulheres fizeram bloqueio e impedem a saída de carros, os policiais assumiram o plantão nas unidades de Polícia Pacificadora. Alguns chegaram a trabalhar sem farda e ficaram com as armas dos colegas que deixavam o serviço. As roupas saíram do batalhão em carros descaracterizados. “A polícia militar deu demonstração de profissionalismo porque colocou como prioridade a segurança de cidadãos”, afirmou Sá.

De acordo com Sá, o pagamento de janeiro será pago no 10ª dia útil (14 de fevereiro). “O governador, conseguindo vitória no STF, se comprometeu a adotar todas as medidas administrativas para o pagamento do 13º salário, Regime Adicional de Serviço (RAS) e metas”, afirmou. O governador Luiz Fernando Pezão recorreu ao Supremo Tribunal Federal para antecipar os efeitos do plano de recuperação fiscal firmado com o governo federal. Para isso, terá de descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal e precisa da autorização do STF.

O secretário garantiu ainda que haverá troca de turno às 17 horas. “Estamos tranquilos em relação a essa troca, sem que precise utilizar a própria unidade. A PM vai continuar o policiamento”.

Comando de Polícia Pacificadora. Às 9 horas, quatro mulheres impediam a entrada e saída de policiais militares do Comando de Polícia Pacificadora, no Complexo do Alemão.

O grupo era liderado pela pensionista Rose, mãe de um PM que trabalha em uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), que chegou ao CPP às 4h45.

As mulheres chegaram a flagrar um grupo de policiais que tentava sair pelo muro, usando uma escada. Rose pegou a escada, que passou a usar para bloquear a entrada e saída de veículos.

"Não vamos deixar ninguém sair para trabalhar. O governo precisa mudar,  precisa pagar os atrasados e respeitar mais os policiais", afirmou, em discurso para um grupo de policiais que tentava sair para, segundo afirmaram, ir para casa após o expediente.

Jacarepaguá. Em Jacarepaguá, 21 pessoas participam do ato no 18º Batalhão. Segundo o grupo, composto por 17 mulheres e quatro homens, nenhuma viatura saiu desde as 3 horas, quando os primeiros manifestantes chegaram.

Um policial fardado que tentou sair alegando ter encerrado o expediente foi impedido até que tirasse a camisa. Com o torso nu, ele foi aplaudido e autorizado a sair.

O grupo aguarda a abertura de uma papelaria na vizinhança para comprar cartolina e produzir cartazes - por enquanto, os manifestantes dispõem apenas de cadeiras de praia e garrafas de café.

Choque. Já na Rua Frei Caneca, no centro, um grupo mulheres tentava interditar a porta da sede do Batalhão de Choque da Polícia Militar, às 6 horas. Vestidas com camisetas idênticas, com as palavras "basta" e "dignidade", elas expõem uma faixa onde se lê: "Eles não podem! Nós podemos! Familiares em apoio ao policial militar. Sangue e vitória".

Em cartazes, questionam "Cadê o 13º salário?", referência ao salário de 2016 ainda não pago pelo governo do Estado. Ao lado do grupo, há um conjunto de garrafas de água mineral.

"Queremos a regularização do pagamento dos salários", reclamou uma das mulheres - nenhuma delas aceitou se identificar. "Se formos identificadas, podem querer perseguir nossos maridos."

Elas se organizaram por grupo de WhatsApp e pretendem ficar por tempo indeterminado. "Se o governo não paga, não vai ter mais policiamento", afirmou uma das manifestantes.

Na frente do batalhão, oito mulheres revistam cada policial que sai para verificar se eles têm uniformes e armamentos nas bolsas. A intenção é só permitir a saída de quem está deixando o turno.

Além do pagamento do 13º salário, as manifestantes reivindicam o Regime Adicional de Serviço (RAS) prometido para a Olimpíada e o ano-novo e os vencimentos atrasados.

"Também sou policial, como o meu marido. Lá em casa só tem dinheiro de segurança. Imagina a situação da nossa família", afirmou a policial civil Alessandra, que não quis divulgar o sobrenome com medo de represálias.

Questionada sobre os riscos de se repetir no Rio o cenário de guerra provocado pela ausência de policiamento nas ruas de Vitória, ela respondeu que "infelizmente a intenção é essa".  E complementou que o movimento das mulheres de policiais "é a única maneira de dar um jeito", de forçar o pagamento de atrasados pelo governo estadual.

Elas planejam trazer barracas para as portas do batalhão e permanecerem em protesto por noites e dias até que os atrasados sejam pagos. Para se manterem no local, trouxeram 15 pacotes de água mineral com 12 garrafas cada um, café, guaraná natural, cadeiras de praia e biscoitos.

Tijuca. O porta-voz da PM esteve por volta das 8h40 na sede do 6º Batalhão, na Tijuca, onde outro grupo de mulheres também impedia a entrada e saída de policiais.

Ele admitiu que havia "sensibilidade na assunção de serviço" no 6º e no 16º Batalhões, este em Olaria, também na zona norte, mas reafirmou que o policiamento estava normal em todas as outras áreas do Estado.

 

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