Boas Práticas em Marília e Região

Iniciativa de soldado se transforma em projeto social da Polícia Militar

As peças de teatro ocorrem desde o início do projeto. A interação entre o trabalho social e a Polícia Militar tornou-se referência no município de Marília, a 444 km da Capital, a partir de uma ação individual desenvolvida pelo soldado Reginaldo dos Santos Batista. O projeto “Andanças” adotado pela 3ª Companhia da PM está sendo realizado há sete anos e já levou mais de 70 oficiais voluntários aos encontros que ocorrem em datas especiais como a Páscoa, Dia das Mães e Natal.

Partindo das atividades em seu bairro, no Dia das Crianças, o soldado conseguiu vários adeptos à idéia. Reginaldo define hoje seu trabalho como uma busca pela valorização da vida e da auto-estima seja para crianças, adultos, idosos ou pessoas marginalizadas. “Não poderia ser diferente, pois sou policial há 20 anos e minha ação social não poderia deixar de ser a de um policial integrado à comunidade”, afirma.
No ano 2000 teve início o plano que contou com a primeira voluntária Karla Rossana Motta Batista, esposa de Reginaldo. As filhas Bruna e Viviane aumentaram o grupo, envolvendo depois a comunidade paroquial. “Reuni amigos e a família, mas queria fazer algo dentro da polícia. Conversei com o sargento e iniciamos os encontros”, diz o soldado.

Nos primeiros anos a festa reunia cerca de duas mil pessoas, com mais de 600 crianças, e, percebendo o sucesso, o projeto passou a ser realizado não só no feriado do mês de outubro, mas em todas as datas especiais do ano. Hoje vários bairros de Marília são atendidos durante as oito edições anuais que são levadas ainda para a cidade de Pompéia, que faz parte da 3ª Companhia. “O nome ‘Andanças’ se explica porque ele não fica parado, não tem lugar fixo. Nós vamos até as pessoas ou as levamos para determinados lugares”, comenta Reginaldo.

 

 

Segundo o tenente Alexandre Espínola Cardoso Ledo, comandante interino da unidade, os oficiais da Companhia se tornaram voluntários da ação social. Além das equipes da PM muitas pessoas que estiveram em contato com a organização do projeto e foram atendidas por ele fazem parte hoje do time que coloca em prática o trabalho. “Com esse plano é possível integrar a PM e estreitar o contato com a comunidade”, afirma o tenente.

O “Andanças” mais recente foi realizado no dia dos pais. A Fumares (Fundação Mariliense de Recuperação Social) recebeu no último sábado a psicóloga Patrícia Nunes que apresentou uma dinâmica sobre trabalho em grupo, fortalecendo o projeto de recuperação social da casa. Reginaldo disse que essa reunião ocorreu em parceria com a Secretaria do Bem Estar Social, atendendo andarilhos que estão envolvidos com álcool e sem apoio da família. “A intenção é resgatar a auto-estima e colocar um símbolo de fé no caminho dessas pessoas”, diz o soldado. Houve ainda a colaboração das paróquias Sagrado Coração e São Sebastião, do grupo de estudantes do Aniz Badra que apresentou uma peça de teatro e dos policiais da Companhia. “Agora estamos preparando o Dia das Crianças”, afirma.

A banda da Polícia Militar sempre abre os eventos, em algumas ocasiões há apresentação do canil e um momento reservado aos bombeiros para dar orientações ao público. A conversa com um profissional de psicologia está também presente em todas as edições, Reginaldo diz que a as palestras são focadas em um tema escolhido para dirigir cada encontro. “Fomos para Pompéia no fim de semana do Dia das Mães e já estamos requisitados para retornar na semana da criança, para trabalhar com jovens que se envolveram com entorpecentes”, diz o soldado. Desde o início de “Andanças” um grupo de teatro faz apresentações e a palestra final é coordenada por Reginaldo junto com uma dinâmica que envolve a pauta eleita para a data.

“A boa ação não tem autoria, é de todos, e o “Andanças” é mais um projeto de Marília, feito por policiais, profissionais, estudantes e paroquianos. Cada um deve inventar o seu modo de ajudar o próximo. Todo esse trabalho é mais importante pra mim do que para as pessoas que nós atendemos, porque me ajuda no crescimento pessoal, numa visão diferente do mundo, serve como um espelho, o que eu falo volta pra mim. O ‘Andanças’ tem ajudado as pessoas a ver a Polícia de um modo diferente, e todo o trabalho tem uma grande importância para as pessoas que são atendidas”, diz o soldado Reginaldo dos Santos.

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Visita Programada - Residências e Condomínios

Reduzir os indicadores criminais de furtos qualificados e orientar a população com relação as medidas de segurança para se evitar que os crimes contra o patrimônio aconteçam. O programa consiste em um atendimento personalizado da comunidade, que recebe dicas e orientações quanto a segurança patrimonial e pessoal, além de promover uma interação entre o cidadão e a polícia, premissa relevante para o fortalecimento do policiamento comunitário.

Após diagnósticos dos bairros com incidência significativa de furtos qualificados em residências, condomínios e interior de veículos foram distribuídas cartas-convite aos residentes-proprietários, convidando-os a agendarem uma visita com um sargento da Polícia Militar e com um policial Civil. Tão logo o cidadão manifestou interesse, a visita foi programada junto a Base Comunitária de Segurança, através de uma agenda individual, definindo o dia e horário. Na realização das visitas aos moradores, os policiais apontaram as eventuais deficiências dos imóveis, bem como transmitiram dicas e orientações no tocante a segurança patrimonial e pessoal, ressaltando as medidas de prevenção primária, responsabilidade exclusiva do cidadão, cujas práticas contribuem na contenção ou redução do risco em ocorrer crime, diminuindo a vulnerabilidade do imóvel, do condomínio e interior do veículo.

Marília-SP Foto: Hilton Cassahara. www.yesmarilia.com.br

 

Associação de Proteção e Assistência à Cidadania de Marília (Apac)

Juntamente com a direção técnica do Centro de Ressocialização (CR) de Marília, inaugurada em 2001, e Apac, participam do projeto 26 empresas conveniadas com a associação e nos mais variados ramos, da agricultura à indústria, comércio e serviços. A maioria dos presidiários recebe salário mínimo e em empresas que se especializaram na contratação deste tipo de mão-de-obra. As empresas funcionam dentro e ao lado do CR. O programa “Oficina do Futuro” visa o desenvolvimento cultural e profissional através de cursos em parceria como SEBRAE, a Secretaria do Bem Estar de Garça, SENAI (Serviço Nacional da Indústria) e APAC. Em alguns casos, os cursos profissionalizantes são estendidos também para a família do reeducando. Podemos perceber que projetos são elaborados, mas, muitas vezes, faltam vagas e fiscalização, assim como também ocorre a exploração do trabalho de internos dos presídios, com remuneração baixa ou mesmo a sua ausência.

Associações de bairros

Essas associações elaboram e disponibilizam projetos de aulas inglês e informática, práticas de esportes, cursos de culinária e artesanato e outros. Os projetos são desenvolvidos por voluntários com dificuldades financeiras para as estruturas de realização das atividades, materiais e disponibilidade de voluntários. Renascer: instituído em 1998, o projeto Renascer está sendo desenvolvido no município com os adolescentes ligados à Fundação CASA ( Centro de Atendimento Sócio-Educativo ao Adolescente), antiga FEBEM. Trata-se de um projeto com a coordenação de uma assistente social, estagiária de psicologia e administrativo, que acompanha e desenvolve ações sócio-educativas para os adolescentes. Uma dessas ações é a parceria com o SENAC de Marília, que disponibiliza seus profissionais para palestras com esse público.

Vida Nova

Criado em 1997, esse projeto é mantido pela Prefeitura de Marília e da comunidade em geral. O projeto trabalha na recuperação de pessoas dependentes de drogas e álcool, os internos do projeto possuem aulas de pintura e pirografia, com a instalação de uma padaria como atividade e para próprio sustento.

Jovens Construindo a Cidadania (JCC)

Esse programa foi criado em 1999, nos Estados Unidos, e apresentado pela primeira vez na cidade de Bauru, com o Brasil sendo o primeiro país da América Latina a adotar esse projeto. Essa prática é uma iniciativa do Comando Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo e atualmente funciona em mais de 220 escolas de todo Brasil. A meta principal proposta por essa prática é a de criar um ambiente escolar livre de drogas e violência, através de ações e mudanças comportamentais que são desencadeadas por um grupo de alunos que atuam dentro da escola, sempre com a supervisão dos professores e a orientação de um policial militar ou colaborador. Em Marília, o programa pioneiro é desenvolvido em uma escola estadual, na região Sul, pela 5ª Companhia de Polícia de Marília, por policiais voluntários que reúnem alunos e comunidade nos finais de semana no projeto educativo. Essa informação é disponibilizada pelo Comitê Gestor de Segurança e Qualidade de Vida, mas não foi encontrada divulgação em jornais ou outro meio de comunicação para o público, assim como não é disponibilizado a data de implantação do projeto na cidade. Talvez isso ocorra devido ao fato do projeto estar concentrado na região sul da cidade, assim, contendo limitações de espaço, materiais usados e voluntários.

Corujinha

O 9° Batalhão de Polícia Militar do Interior (9° BPM/I) desenvolveu em sua sede a Escola de Futebol Corujinha, com o intuito da realização da prática do esporte a crianças e adolescentes, os policiais militares voluntários participam como instrutores. Esse projeto é divulgado como um programa de prevenção primária, sendo fornecido para a população de baixa renda. Um dos requisitos para a participação na escolinha é a freqüência escolar. Criado em 2001, no projeto constam 150 meninos (2005).

Faça uma Criança Feliz

Desde 2000 o 9° BPM/I arrecada brinquedos usados para a distribuição no Dia das crianças. Inicialmente essa ação era desenvolvida apenas na cidade de Marília, mas vem se expandindo para outras cidades da região. Dessa prática participam equipes de voluntários, civis, policiais militares que realizam a entrega dos brinquedos em entidades assistenciais e comunidades carentes, diretamente às crianças.