Boas práticas contra homofobia: o exemplo do CRP-SP

O Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (6ª Região - CRP-06) criou em 19 janeiro de 2008 o Grupo de Trabalho Psicologia e Questões GLBTTT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros).
 
Segundo Sandra Elena Sposito coordenadora do grupo, o objetivo é articular os conhecimentos da Psicologia como ciência e profissão e contribuir para propostas de políticas públicas voltadas à população GLBT.
 
O GT participou da organização da 1ª Conferência GLBTT de São Paulo e de várias outras conferências que aconteceram em âmbito regional e municipal no estado de São Paulo, onde se abriu tanto o debate sobre a atuação do psicólogo nas questões de orientação sexual e identidade de gênero como demandas de políticas públicas a serem discutidas na 1ª Conferência Nacional GLBT, de 6 a 8 de junho, em Brasília; evento esse promovido pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) da Presidência da República.
 
O GT do CRP SP foi formado em janeiro de 2008 e é o primeiro desse tipo dentro de um Conselho de Psicologia no Brasil. Segundo Sandra, a criação do GT em São Paulo surgiu da necessidade de aprofundar questões não apenas sobre orientação sexual (homossexual, heterossexual e bissexual), mas também de identidade de gênero, (a visão de si como pertencente ou ao gênero feminino ou ao gênero masculino); questão central quando se discute as demandas por reconhecimento, cidadania, políticas públicas e identidades de travesti, transexuais e transgêneros. “O GT se propõe a discutir o sofrimento psíquico decorrente da homofobia, ou seja, o preconceito oriundo da não-aceitação das expressões de sexualidade que não estão de acordo com o padrão heterossexual e que possuem identidades de gênero distintas das tradicionais”, diz.
 
O Conselho Federal de Psicologia através da resolução 01/99 considera que a homossexualidade “não constitui doença, nem distúrbio, nem perversão” e proibi a discriminação de uma pessoa por sua orientação sexual, contudo existem profissionais psicólogos que defendem terapias de reversão da homossexualidade considerando-a distúrbio e doença, capaz de ser curada. Para a psicologia abrem-se um amplo e profícuo debate através da criação do Grupo de Trabalho Psicologia e Questões GLBTTT, uma vez que sua atuação em nossa atualidade se mostra cada vez mais imbricada de situações que envolvem as demandas políticas da população GLBT, e que por sua vez demandam séria discussão.
 
Para Sandra diversas implicações éticas e teóricas se colocam aos psicólogos que se deparam com uma diversidade de questões diante a população GLBTTT: “Como discutir tais questões diante de pais de adolescentes que buscam auxílio com a expectativa de que o profissional os ajude a “curar” um filho gay? Como encaminhar um processo de seleção com um candidato travesti? Como acompanhar um caso de adoção de bebês por pais do mesmo sexo, caso venham a ser consultados?”.

Fonte: Jornal de Psicologia- CRP- SP. Número 155 • Março/Abril de 2008.

Acesse a discussão no Jornal de Psicologia do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo

Acesse o sítio na internet do Grupo de Trabalho Psicologia e Questões GLBTTT: